Terça, 09 de de 2009
No Vale das Araucárias, com os papagaios
O Parque Estadual da Serra do Papagaio, no Sul de Minas, preserva a exuberante Mata Atlântica e a árvore-símbolo das terras altas da Mantiqueira

Ana Elizabeth Diniz

As serras de Careta, Canjica, Três Marias, Garrafão, Santo Agostinho e Papagaio já são maravilhas pontuais. Juntas, elas formam um único e verdadeiro mar de montanhas, que atingem 2,3 mil metros de altura, se interconectando e abrigando biomas exuberantes como matas atlânticas, campos de altitude e vales úmidos (ombrófilos). Esta beleza tanta se espalhando em quase 23 mil hectares nos municípios de Baependi, Aiuruoca, Alagoa, Itamonte e Pouso Alto, no Sul de Minas.

 

Para proteger esse santuário natural, o Governo do Estado, através do Instituto Estadual de Florestas (IEF) criou, em 1998, o Parque Estadual da Serra do Papagaio. O nome é na espécie de peito-roxo, endêmica na região, que também aparece esculpida na rocha bastante conhecida pelos moradores de Aiuruoca: o Pico do Papagaio, visto de longe.

 

Tendo como vizinhos o Parque Nacional de Itatiaia e a Serra da Mantiqueira, trata-se de um conjunto montanhoso e contínuo, legalmente preservado naquela região. São montanhas a perder de vista e muita beleza para desfrutar.

 

Mas a luta pela preservação desse santuário começou muito antes. Já na década de 80, ambientalistas ajudaram a expulsar da área os garimpeiros que estavam comprometendo as águas do Rio Baependi, que abastece a cidade de mesmo nome. Quem relembra e conta com orgulho essa história é Paulo Maciel, que, exatamente em 05 de junho de 1990, Dia Mundial do Meio Ambiente, festejou o decreto de criação da Estação Ecológica Pico do Papagaio, então no cargo de diretor da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM). “Foi um grande movimento de mobilização em defesa dessa área de beleza ímpar. Tivemos o apoio da Frente de Defesa da APA da Mantiqueira (FEDAPAM), das prefeituras locais e de mais de 60 ONGs internacionais que se uniram e torpedearam o então governador do Estado, Newton Cardoso, com faxes, para que ele assinasse o decreto”. Valeu a pena a luta encabeçada por Maciel, que também já foi secretário de Meio Ambiente de Belo Horizonte e hoje dirige a Lume Estratégia Ambiental.

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