Segunda, 26 de setembro de 2016

A terceira chave

Saiba, a seguir, quais são os principais assuntos da Revista Ecológico, edição 92

Hiram Firmino - hiram@souecologico.com



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Lixo flutuando na Baía de Guanabara: a face oculta da Rio 2016 que de longe nem lembra a ecológica abertura das Olimpíadas - Imagem: Mario Moscatelli/Olho Verde

Lixo flutuando na Baía de Guanabara: a face oculta da Rio 2016 que de longe nem lembra a ecológica abertura das Olimpíadas - Imagem: Mario Moscatelli/Olho Verde

Como bem registrou Maurício Lima, colunista da Revista Veja, não fosse a burocracia, a poluição da Baía de Guanabara poderia ter sido reduzida drasticamente para a Rio 2016. Foi isso que o Brasil se comprometeu, perante a opinião pública mundial, a fazer como dever de casa e pré-requisito para sediar a maior de todas as olimpíadas. E, infelizmente, não cumpriu, como a Revista Ecológico registra nesta edição.

Segundo Lima, somente a ONG americana Second Chance ofereceu US$ 500 milhões para a limpeza e a construção de uma rede de esgotos nos rios da região. A empresa ATS foi contratada para o serviço e fez um projeto para quatro anos, com início em fevereiro deste ano. Mas o plano, entre vários outros anunciados e fracassados, perdeu-se igualmente entre as gavetas do governo do Rio e da Cedae, empresa estatal de água e saneamento dos cariocas. Detalhe final acrescentado pelo colega jornalista: “O dono da ONG morreu. Bye, bye, US$ 500 milhões”.  

Esse é o país que temos e sabe brilhar, acima de tudo e de todos os problemas, quando há consciência e vontade política para fazer as coisas. Até dinheiro que não existe, nessa hora aparece, como aconteceu no Rio; e para as duas olimpíadas.

É essa esperança, mesmo pífia, que o Brasil e o Governo Temer têm nas mãos com a questão ambiental, após ter ratificado o Acordo de Paris, contra a ameaça galopante das mudanças climáticas. Este evento aconteceu com toda a pompa e conteúdo no Palácio do Planalto, na manhã do último dia 12. Ouvir um ministro como José Serra, que a priori não é da área, falar tão embasado de economia e combustível verde dá esperança mesmo. Até o presidente Temer fez uma revelação “ecológica”, vista pelos ambientalistas como um combustível natural e aliado. A de que ele nadou, quando criança, nas águas ainda limpas do Rio Tietê, no município de mesmo nome onde nasceu. E hoje não há nem como chegar perto, tamanha a poluição, fedor e abandono em que o rio se encontra.

O presidente vai entrar no clima por causa disso? Junto à lembrança bucólica que todo e qualquer ambientalista que se preze traz dentro de si e o faz militante, em busca do paraíso perdido da nossa infância?

O próprio Temer respondeu, lembrando a sua participação recente no último encontro da Cúpula do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, em Hangzhou, na China: “Fiquei impressionado. Não ouvi um só dirigente desses países que não falasse de clima e meio ambiente”.

Ele deixará seu governo ouvir também a mensagem de sustentabilidade que foi passada na abertura inesquecível da Olimpíada 2016, com a urgência que todos nós merecemos para continuarmos vivos sobre o planeta em transe?

É o que a nossa colega Maria Júlia Coutinho, a Maju, repórter global do tempo, também responde nesta edição: “Não podemos sugar o sangue da Terra!”

E ela não está sozinha! Tem até o Galvão Bueno, a Glória Maria e o Marcos Uchôa, incluindo o André Trigueiro, mais o biológo Mario Moscatelli e o cineasta Fernando Meirelles de companhia.

A terceira chance começará pelo Rio ou Brasília?

É essa a nova e climática questão que abordamos nesta edição de setembro.

Boa leitura!

Até a lua cheia de outubro!

 

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