> Edições Anteriores > A tristeza oculta do Rio > ECOLÓGICO NAS ESCOLAS

Segunda, 26 de setembro de 2016

Harmonização e bem-estar

Três perguntas para Marizeth Estrela, paisagista, especialista em Feng Shui e jardinagem orgânica

Luciana Morais - redacao@revistaecologico.com.br



font_add font_delete printer

Como e quando surgiram os primeiros jardins sensoriais no mundo?

Os jardins costumavam ser concebidos mais para serem vistos do que sentidos. Na maioria das vezes, eram símbolo para demonstrar riqueza e poder. Atualmente, o jardim sensorial tem outra função, a de retomada dos sentidos que se perdem na correria do dia a dia, em meio às construções dos grandes centros. Aproximar-nos da natureza, avivar a percepção adormecida e torná-la real são agora funções primordiais. As origens dos jardins sensoriais estão ligadas a costumes asiáticos e orientais, a jardins japoneses (que formam desenhos na areia para serem contemplados), jardins zens, jardins persas e dos monastérios. Esses modelos de jardim vêm sendo usados desde as primeiras décadas do século XX, quando profissionais da área da saúde começaram a se preocupar em desenvolver ambientes funcionais, espelhando uma nova visão científica e tecnológica.

 

E quais são os principais benefícios desses espaços para a saúde humana?

Alguns desses jardins são chamados de jardins terapêuticos, jardins sensoriais ou jardins feng shui. Todos têm a mesma premissa de harmonização e visam promover o bem-estar físico, emocional, psicológico e espiritual, para nos religar com o divino em nossas vidas, levando-nos a dar maior importância ao ser do que ao ter. O jardim sensorial é um espaço de inclusão social de pessoas com diversos tipos de necessidades e também uma importante ferramenta para a reabilitação de pessoas que necessitam fazer fisioterapia para o tratamento de distúrbios como alterações na forma de caminhar, equilíbrio e fala. Eles sociabilizam as pessoas, o corpo médico, terapeutas e familiares que convivem no espaço. No caso de jardins sensoriais domésticos, é possível, ainda, desenvolver a paciência, permitindo que a germinação aconteça no devido tempo de cada espécie. A perseverança é outro ponto que pode ser melhorado, para recomeçar algo que deu errado, um amor, por exemplo.

 

E em relação às crianças? Quais são as possibilidades pedagógicas e de conscientização ambiental?

O respeito à natureza também é parte importante nesse processo de aprendizagem e interação. Os jardins sensoriais são um recurso para despertar o conhecimento de crianças e de adultos, com deficiência ou não. Casos de depressão podem ser até curados com o manejo de plantas e ervas. Crianças muito agitadas podem se sentir mais calmas. Pode-se estimular também o aprendizado pela leitura e escrita dos nomes das plantas com que as crianças mais se identificam, estabelecendo um paralelo entre o comportamento das espécies e o da criança. Outra opção é ressaltar o que influencia o bom desenvolvimento da planta para ser saudável (clima, tipo de solo, umidade necessária), local adequado e suas origens. Compreender as mudanças da vida através das estações do ano e suas peculiaridades, efeitos da Lua sobre plantas e raízes são outros assuntos “mágicos” que podem ser trabalhados em sala de aula. 

LEIA TAMBÉM:

Uma festa para os sentidos

 

Compartilhe

Comentários

Nenhum comentario cadastrado

Escreva um novo comentário
Outras matérias desta edição