Quarta, 22 de março de 2017

Brasil em alerta

Febre amarela avança na floresta e nas cidades. Entenda melhor o que é a doença, seus sintomas e como ela pode ser transmitida

Cristiane Mendonça - redacao@revistaecologico.com.br



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A população que mora em regiões silvestres, rurais ou de mata ou que se desloca a áreas com recomendação de vacina deve se imunizar - Imagem: Marcus Ferreira

A população que mora em regiões silvestres, rurais ou de mata ou que se desloca a áreas com recomendação de vacina deve se imunizar - Imagem: Marcus Ferreira

Em postos de saúde de algumas cidades brasileiras, uma cena vem se tornando comum: são cada vez maiores as filas de pessoas esperando serem vacinadas contra a febre amarela. O surto é considerado o maior desde 1980, ano em que o Ministério da Saúde passou a disponibilizar dados sobre a doença.

Até o dia 10 deste mês, segundo boletim epidemiológico publicado pelo Governo de Minas, foram notificados 1.089 casos de febre amarela, sendo 288 confirmados e 57 descartados. Em relação às mortes, há 188 casos suspeitos. Desse total, 109 foram confirmados. E são exatamente eles que despertaram o alerta, não mais amarelo, mas agora vermelho, nas autoridades de saúde pública e na população.

Estudos demonstram que a doença surgiu na África, há cerca de três mil anos, e os primeiros casos surgiram no Brasil por volta do século 17, com a chegada de navios que traziam escravos para a Colônia. Como as cidades não dispunham de saneamento básico e estavam infestadas de mosquitos, a dispersão do vírus por meio dos insetos tomou grandes proporções na época. A primeira região atingida foi Pernambuco, em 1685. A população sofreu com surtos da doença durante 10 anos. Em Salvador, na Bahia, foram registradas 900 mortes por febre amarela durante os primeiros seis anos em que o vírus se propagou, de acordo com informações do Ministério da Saúde.

 

Ciclos do perigo

A doença se dá de duas formas: urbana e silvestre. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela são os mosquitos Haemagogus e o Sabethes. Nesses locais, a infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina é picada por alguma das espécies de mosquitos infectados. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar hospedeira do Aedes aegypti – o mesmo inseto que transmite a dengue, a zika e a chikungunya. É a partir desse momento que o ciclo urbano de transmissão da doença se estabelece. 

Apesar de o último caso de febre amarela urbana ter sido registrado no Brasil em 1942, a possibilidade de retorno da doença é real, já que existe a proliferação do mosquito nas cidades. Por isso, é indispensável a vacinação com antecedência de pessoas que residam ou façam viagens para regiões consideradas de risco (leia mais recomendações no box “Quem precisa ser vacinado?”).

 

Mito primata

A coordenadora de Zoonoses e Vigilância de Fatores de Risco Biológicos da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG), Mariana Gontijo, conta que o vírus da febre amarela acomete principalmente os primatas. “No ciclo silvestre da febre amarela, os macacos, chamados de primatas não humanos, são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus.” Porém, a coordenadora explica que ao contrário do que algumas pessoas acreditam, “os macacos não transmitem a febre amarela para o homem, e também não são os responsáveis pela transmissão da doença”, afirma. Ou seja, a única forma de transmissão da febre amarela para humanos se dá pela picada do mosquito infectado.

Ainda assim, a confirmação de macacos mortos pelo vírus da febre amarela é um importante alerta de segurança para os humanos, segundo Ludmila Ferraz de Santana, referência técnica em Raiva, Febre Amarela e Poxvírus da SES-MG. A especialista esclarece que os primatas prestam um importante auxílio no controle da doença. “Por adoecerem primeiro, esses animais dão às autoridades informações valiosas sobre a circulação do vírus. O achado de macacos mortos serve de alerta para que os órgãos de saúde pública iniciem campanhas de vacinação. Algumas pessoas pensam que os macacos transmitem a febre amarela aos humanos, o que é completamente errado. Além de ilegal e de tornar mais crítico o estado de conservação desses animais, a matança indiscriminada, assim como o envenenamento intencional de macacos são extremamente prejudiciais ao próprio homem. Se eles forem mortos por ação humana, descobriremos que a febre amarela chegou a determinada região apenas quando as pessoas contraírem a doença”, explica.

 

Prevenção

Por isso, a melhor e única forma de se prevenir contra a doença é a vacinação. Principalmente se as pessoas morarem ou viajarem para áreas consideradas de risco. Em Minas, existem 87 municípios com casos suspeitos, sendo 46 cidades com ocorrências confirmadas. Os nomes das cidades podem ser conferidos no site da Secretaria de Saúde de Minas Gerais no link goo.gl/EOJFNy (as regiões do Brasil que também são consideradas de risco podem ser acessados no site do Ministério da Saúde (portalsaude.saude.gov.br).

 

Surto

Uma das causas apontadas para o surgimento do novo surto da doença é o desequilíbrio ambiental. As mudanças climáticas e a degradação ambiental provocadas pelo homem são as principais responsáveis pelo recente aparecimento de inúmeras doenças infecciosas. Especialistas acreditam que o avanço da doença tem sido facilitado pelo deslocamento de pessoas infectadas ou pela dispersão dos mosquitos. 


Quem precisa ser vacinado:

 Uma dose aos nove meses de idade e um reforço aos quatro anos.

 Acima de seis meses de vida, caso more em áreas rurais, de mata ou silvestre, ou viaje com destino a uma.

 A partir de cinco anos de idade, para quem é vacinado, é necessário administrar um reforço a ser avaliado pela equipe  de saúde.

 Pessoas que nunca foram vacinadas, ou não possuem comprovante de vacinação, é necessário administrar a primeira dose da vacina e um reforço após 10 anos. Dessa forma, indivíduos que já receberam duas doses da vacina ao longo da vida já podem ser considerados imunizados e não precisam do reforço de  10 em 10 anos.

Pessoas com 60 anos ou mais, que nunca foram vacinadas, ou sem o comprovante de vacinação, o médico deverá avaliar o benefício desta imunização, levando em conta o risco da doença e o risco de eventos adversos nesta faixa-etária ou portadores simultâneos de duas doenças, como hipertensão e diabetes.


Fique por dentro

A detecção da doença só pode ser feita por diagnóstico médico.

Os casos graves podem causar doenças cardíacas, hepáticas e renais fatais.

Além dos sintomas comuns,  pode-se ter dor local (abdômen, costas ou músculos), confusão mental, hemorragia ou icterícia.

Em caso de doença grave, consulte um médico para receber orientação.

O período de incubação é de três a seis dias após a picada do mosquito.

Fonte: Hospital Israelita A. Einstein

Origem da febre amarela


Saiba mais

www.saude.mg.gov.br/febreamarela  

 

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