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Segunda, 05 de junho de 2017

#Demarque

Astros da música brasileira se unem em canção a favor da demarcação das terras indígenas no país



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Indígenas protestam em frente ao Palácio do Alvorada: pelas terras, pela história e pela natureza - Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

Indígenas protestam em frente ao Palácio do Alvorada: pelas terras, pela história e pela natureza - Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

Resultado de uma parceria das organizações Greenpeace, Instituto Socioambiental (ISA) e Bem-Te-Vi Diversidade com a  Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e as produtoras Cinedelia e O2 Filmes, a canção “Demarcação Já” ganhou vida graças ao trabalho de mais de 25 artistas. Eles doaram seu talento para apoiar os direitos indígenas, em especial a garantia do território, que é vital para a sobrevivência física e cultural desses povos.

Com mais de 100 versos divididos em 21 partes, a canção escrita por Carlos Rennó e Chico César foi lançada com um videoclipe produzido pelo diretor André D’Elia, em 24 de abril passado, como parte da “Semana de Mobilização Nacional Indígena”, em Brasília (DF).

Com um texto belo e contundente, a música traduz poeticamente os principais aspectos da questão indígena no Brasil, conectando-a com a importância da proteção das florestas. Como afirma Rennó, “a canção parte de um espírito solidário em relação a esses povos, que muitas vezes são tão ignorados por parte da nossa sociedade, para expressar as implicações disso para o restante da humanidade e para o mundo”.

Para Gilberto Gil, “Demarcação Já” é um chamamento, “um grito de luta”. Um grito que ocorre no momento em que os direitos indígenas estão sendo atacados na forma de projetos de lei em tramitação no Congresso e medidas administrativas que propõem dificultar as regras para a demarcação de terras indígenas.

A demora na demarcação não só deixa territórios de florestas vulneráveis à invasão de grileiros, madeireiros e garimpeiros, como também acirra conflitos, colocando os povos indígenas em perigo, como ocorre com os Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul.

A demarcação é essencial para garantir o modo de vida dos povos indígenas. Negar essas terras a eles é negar seu direito de existir. Atualmente, segundo dados do ISA, há no território brasileiro mais de 250 povos, falantes de mais de 150 línguas diferentes. Ainda segundo dados do Instituto, estima-se que, na época da chegada dos europeus, eram mais de mil povos, somando entre dois e quatro milhões de pessoas.

 

Assista ao vídeo completo da canção.

 

Artistas brasileiros que cantam a canção a favor da demarcação das terras indígenas no país. Foto: Divulgação

 

A seguir, confira a letra da canção:

 

Chico César
“Já que depois de mais de cinco séculos / E de ene ciclos de etnogenocídio, / o índio vive, em meio a mil flagelos, / já tendo sido morto e renascido. / Tal como o povo kadiwéu e o panará. / Demarcação já!”

Maria Bethânia
“Já que diversos povos vêm sendo atacados, / sem vir a ver a terra demarcada. / A começar pela primeira no Brasil, / que o branco invadiu já na chegada: A do tupinambá. / Demarcação já!”

Nando Reis
“Já que, tal qual as obras da Transamazônica, / quando os milicos os chamavam de silvícolas. / Hoje um projeto de outras obras faraônicas, / correndo junto da expansão agrícola, / induz a um indicídio, vide o povo kaiowá, / demarcação já!”

Zeca Baleiro
“Já que tem bem mais latifúndio em desmesura, / que terra indígena pelo país afora.;/ E já que o latifúndio é só monocultura, / Mas a T.I. é polifauna e pluriflora, / ah!, demarcação já!”

Margareth Menezes
“E um tratoriza, motosserra, transgeniza. / E o outro endeusa e diviniza a natureza. / O índio a ama por sagrada que ela é. / E o ruralista, pela grana que ela dá / Hum… Bah! / Demarcação já!”

Zélia Duncan
“Já que por retrospecto só o autóctone mantém compacta e muito intacta, / e não impacta, e não infecta, / e se conecta e tem um pacto com a mata /  – sem a qual a água acabará –, / Demarcação já!”

Felipe Cordeiro e Dona Odete
“Pra que não deixem nem terras indígenas, / nem Unidades de Conservação, / abertas como chagas cancerígenas. /  Pelos efeitos da mineração / e de hidrelétricas no ventre da Amazônia, em Rondônia, no Pará… /  Demarcação já!”

Elza Soares
“Já que ‘tal qual o negro e o homossexual, / o índio é ‘tudo que não presta’, como quer  quem quer tomar-­lhe tudo que lhe resta, / seu território, herança do ancestral. / E já que o que ele quer é o que é dele já, / demarcação, ‘tá’? / Demarcação já!”

Lenine
“Pro índio ter a aplicação do Estatuto, / que linde o seu rincão qual um reduto. / E blinde-­o contra o branco mau e bruto, / que lhe roubou aquilo que era seu. / Tal como aconteceu, do pampa ao Amapá, / demarcação lá!

Arnaldo Antunes
“Já que é assim que certos brancos agem, / chamando-­os de selvagens, se reagem. / E de não índios, se nem fingem reação. / À violência e à violação de seus direitos, / de Humaitá ao Jaraguá, / demarcação já!”

Céu
“Pois índio pode ter iPad, freezer, TV, caminhonete, ‘voadeira’, / que nem por isso deixa de ser índio. / Nem de querer e ter na sua aldeia cuia, canoa, cocar, arco, maracá. / Demarcação já!”

Zeca Pagodinho
“Pra que o indígena não seja um indigente, / um alcoólatra, um escravo ou exilado, / ou acampado à beira duma estrada, / ou confinado e no final um suicida, / já velho ou jovem ou – pior – piá. / Demarcação já!”

Gilberto Gil
“Por nós não vermos como natural, / a sua morte sociocultural; / em outros termos, por nos condoermos. / E termos como belo e absoluto / seu contributo do tupi ao tucupi, do guarani ao guaraná. / Demarcação já!”

Ney Matogrosso
“Pois guaranis e makuxis e pataxós estão em nós. / E somos nós, pois índio é nós, / é quem dentro de nós a gente traz, aliás, / de kaiapós e kaiowás somos xarás, Xará. / Demarcação já!”

Tetê Espíndola
“Pra não perdermos com quem aprender / a comover-­nos ao olhar e ver as árvores, os pássaros e rios. / A chuva, a rocha, a noite, o sol, a arara. / E a flor de maracujá, / Demarcação já!”

Marlui Miranda e djuena tikuna
“Pelo respeito e pelo direito  à diferença e à diversidade. / De cada etnia, cada minoria. / De cada espécie da comunidade. / De seres vivos que na Terra ainda há, / demarcação já!”

Letícia Sabatella
“Por um mundo melhor ou, pelo menos algum mundo por vir; por um futuro. / Melhor ou, oxalá, algum futuro. / Por eles e por nós, por todo mundo / que nessa barca junto todo mundo ‘tá’, / demarcação já!”

Lira
“Já que depois que o enxame de Ibirapueras e de Maracanãs de mata for pro chão, / os yanomami morrerão deveras. / Mas seus xamãs seu povo vingarão, / e sobre a humanidade o céu cairá./ Demarcação já!”

Zé Celso Martinez Correa
“Já que, por isso, o plano do krenak encerra. / Cantar, dançar, pra suspender o céu. / E indígena sem terra é todos sem a Terra. / É toda a civilização ao léu / Ao deus­-dará. / Demarcação já!”

Criolo
“Sem mais embromação na mesa do Palácio, / nem mais embaço na gaveta da Justiça. /
Nem mais demora nem delonga no processo. / Nem retrocesso nem pendenga no Congresso. / Nem lengalenga, nenhenhém nem bla-bla-blá! / Demarcação já!”

Russo Passapusso
“Pra que nas terras finalmente demarcadas, / ou autodemarcadas pelos índios. / Nem madeireiros, garimpeiros, fazendeiros. / Mandantes nem capangas nem jagunços, / milícias nem polícias os afrontem. / Vrá! / Demarcação ontem! / Demarcação já! / E deixa o índio, deixa o índio, deixa os índios lá".

 


 

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