Segunda, 05 de junho de 2017

Carta do Editor

Faroeste climático

Hiram Firmino - hiram@souecologico.com



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Lute, o planeta depende de você

Lute, o planeta depende de você

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, anunciado de forma boba e egoísta pelo presidente da maior democracia mundial, nos faz lembrar dos velhos filmes de faroeste. O mocinho, coitado, apanhava o tempo todo. Mas, no final, ele se agarrava a um arbusto salvador. E o bandido fanfarrão é quem ia pro fundo do abismo, do desfiladeiro de sua... fanfarrice.

O nosso bandido climático já temos. É ele mesmo, o agora famigerado Donald Trump. O grande responsável por ter retirado o segundo país e povo mais poluidores do planeta, depois da China, do maior acordo internacional já negociado na história político-ambiental da humanidade. Abandonaram, estupidamente, a companhia dos 194 países que se alinharam solenemente na última Cúpula da ONU sobre Mudanças Climáticas (a COP-21), em dezembro de 2015.

O filme (que abordaremos na próxima edição da Ecológico) com seu roteiro esperançoso de salvar a vida de todos os habitantes atuais e futuros do planeta, incluindo os próprios americanos que votaram no bandido, continua em cartaz em todos cinemas inteligentes da Terra: reduzir as emissões de efeito estufa na atmosfera, para que o aquecimento global fique muito abaixo de 2oC, buscando limitá-lo a 1,5oC em relação aos níveis pré-industriais.

Ao não se apropriar deste que seria o novo e ecológico sonho não apenas americano - but of all the united states of the world -, Trump conseguiu o que não considerou no script do seu bangue-bangue aclimático: o surgimento não de um, mas de vários mocinhos ao mesmo tempo, tão rápidos quanto ele no gatilho.

Reprodução da capa, mais que atual, da Revista Ecológico número 95 sobre a 
chegada de Trump à presidência dos EUA

Ao declarar atirando “fui eleito para representar os cidadãos de Pittsburgh, e não de Paris”, Trump já levou uma bala ricocheteada do presidente francês Emmanuel Macron: “Ele fez os EUA darem as costas ao mundo. Em vez de ‘fazer a América grande de novo’, ele deveria ter preferido tornar o ‘nosso planeta grande’ outra vez”.

O segundo tiro de volta partiu do seu antecessor, Barack Obama, em nome dos americanos defensores do clima: “Os EUA de Trump estão rejeitando o futuro”.

Mas a bala mais certeira, no melhor estilo Billy The Kid, saiu do coldre do ambientalista e ex-vice-presidente Al Gore, protagonista do corajoso documentário “A Verdade Inconveniente”. Já com a continuidade do seu consagrado libelo cinematográfico sobre a realidade das mudanças climáticas no gatilho, Gore chamou Trump para o duelo público.  Lembrou ao bandido que “pensar a América em primeiro lugar” significa pensar “apenas nos Estados Unidos”. Não pode ser assim. E detonou, o que também deveria acontecer com o nosso Brasil e os governantes que temos, capazes até de destruírem a Amazônia, como a Ecológico aborda nesta edição comemorativa a mais um Dia Mundial do Meio Ambiente: “Não importa o que Trump faça. A nossa transição para uma economia de energia limpa é inevitável”.

Que o Brasil faça as suas apostas também no nosso faroeste cabloco. Como os americanos ou não de Trump, só nos resta combinar primeiro com a natureza. Será que ela vai aguentar assistir ao filme sobre o seu próprio e infernal aquecimento? Lutemos com ela até o the end.

Boa leitura, até à próxima lua cheia! 

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