> Edições Anteriores > O impeachment natural > ECOLÓGICO NAS ESCOLAS

Segunda, 05 de junho de 2017

Lâmpadas LED são mais eficientes e ecológicas

Consideradas a melhor opção em todas as aplicações, quando de boa qualidade, lâmpadas LED se destacam pela maior durabilidade, acendimento instantâneo, regulagem de fluxo luminoso e qualidade de reprodução de cores

Luciana Morais - redacao@revistaecologico.com.br



font_add font_delete printer
Graças às suas vantagens energéticas, estéticas e ambientais, lâmpadas LED conquistam a preferência dos consumidores e motivam a transformação do mercado.

Graças às suas vantagens energéticas, estéticas e ambientais, lâmpadas LED conquistam a preferência dos consumidores e motivam a transformação do mercado.

As mudanças climáticas têm sido foco de debates no mundo inteiro, levando à adoção de novas políticas públicas. Parte delas está voltada para investimentos em energias renováveis, capazes de reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa, em especial do dióxido de carbono (CO2), considerado um dos vilões do aquecimento global.

Atento a essa realidade, o Brasil tem centrado esforços na busca da maior eficiência energética de equipamentos, veículos e edificações, por meio, por exemplo, do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), coordenado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

O PBE fornece informações úteis para os consumidores tomarem melhores decisões de compra, considerando atributos como a eficiência energética, o consumo de eletricidade, de gás e de combustível, e também outras características, tais como o consumo de água, no caso das máquinas de lavar, e a potência sonora dos aparelhos atestada pelo Selo Ruído (Conama/Ibama).

Com tais iniciativas, o país também estimula a competitividade da indústria, que passa a fabricar produtos cada vez mais econômicos e vantajosos do ponto de vista da ecoeficiência. O mercado de iluminação reflete bem esse movimento em prol da sustentabilidade.

 

Maior eficiência

Até recentemente, a maioria das lâmpadas destinadas à iluminação residencial era do tipo incandescente, que consumia muita energia e durava curto período de tempo (no mercado, as incandescentes com potência de 41W até 60W não podem mais ser vendidas desde julho do ano passado). Gradativamente, elas foram substituídas pelas fluorescentes compactas, ou lâmpadas chamadas de “eletrônicas”, quatro vezes mais eficientes e seis vezes mais duráveis, porém causadoras de maior impacto ambiental.

Mais recentemente, percebeu-se o início da popularização das lâmpadas LED (Light Emitting Diodes, diodos emissores de luz, na tradução livre). O baixo consumo de energia, a vida útil mais longa e o menor impacto ambiental são as principais características desse tipo de lâmpada.

Regulamentadas pelo Inmetro, elas devem ser certificadas, atendendo a requisitos mínimos, tanto com foco no desempenho energético quanto na segurança elétrica, dos consumidores e na compatibilidade eletromagnética.

Com grande diversidade de modelos, as LEDs têm características específicas, diferenciando-as de produtos que estão no mercado há mais tempo. Considerando que o desconhecimento sobre suas peculiaridades pode gerar uma frustração em relação ao bom funcionamento do produto, o Inmetro reuniu as principais dicas e informações sobre as LEDs numa cartilha, lançada em março do ano passado.

Por meio dela, o consumidor fica sabendo, por exemplo, que nas embalagens das LEDs há sempre três tipos de informação: o fluxo luminoso em lúmens (lm), que é a quantidade de luz emitida; a potência em Watts (W), que representa o consumo de energia elétrica e, por fim, a eficiência luminosa (lm/W), que se refere à relação do fluxo luminoso com a potência.

 

Menor impacto

Mas por que a lâmpada LED é mais econômica? Porque sua eficiência luminosa é maior, ou seja, ela gasta menos energia para gerar a mesma iluminação. Ela pode durar, dependendo do modelo, até 25 vezes mais do que as lâmpadas incandescentes e quatro vezes mais do que as fluorescentes compactas.

Mais modernas, as LEDs convertem energia elétrica diretamente em energia luminosa, através de pequenos chips. Entretanto, o tempo (em horas de funcionamento) estimado na embalagem não equivale ao tempo que a lâmpada levará para queimar e sim ao período que passará a funcionar com menos de 70% da sua capacidade luminosa original.

É importante lembrar, ainda, que alguns fatores não relacionados à qualidade do produto podem afetar sua durabilidade, entre eles a ocorrência de oscilações da rede elétrica e mau contato no ponto de instalação.

A garantia da LED também é mais longa do que a das lâmpadas comuns. Sendo assim, caso o produto pare de funcionar ou tenha a sua eficiência luminosa reduzida além do máximo prescrito dentro do prazo de garantia estipulado pelo fornecedor - configurando um defeito -, o consumidor pode solicitar a sua substituição. Mas, para usufruir desse direito, é preciso guardar a embalagem e a nota fiscal do produto.

Entre os diferenciais sustentáveis das lâmpadas LEDs também contam pontos a seu favor o fato de apresentarem menor risco para a saúde dos consumidores e menor impacto ambiental. Afinal, não contêm mercúrio na sua constituição, como é o caso das fluorescentes compactas.

Além disso, não emitem radiação ultravioleta e infravermelha (sendo mais confortáveis para os olhos) e não demoram ao serem acesas novamente, quando são desligadas.

 

Tipos de lâmpadas. Imagem: Apliquim Brasil Recicle

 

Entenda melhor 

O custo das LEDs ainda é mais alto do que o das outras lâmpadas (até cinco vezes mais do que uma comum). Porém, considerando o baixo custo de sua manutenção – em função da maior durabilidade – e a redução no valor da conta de luz, o gasto maior investido na sua compra é sempre compensado.

Na hora de escolher a LED, fique de olho. Há dois tipos: as de baixo fluxo luminoso, usadas para sinalização, árvores de Natal, decorações e situações que demandam baixa luminosidade, e as de alto fluxo luminoso, que emitem mais luz, devendo ser usadas para a iluminação de ambientes que exigem maior luminosidade; também são ideais para spots (sobre bancadas, objetos decorativos), arandelas (para criar efeitos na parede), balizadores (iluminação de corredores e escadas) e para iluminação de fachadas.

As tonalidades de cores das LEDs podem ser identificadas nas embalagens como “temperaturas de cor”, expressas em Kelvin (K). Essas temperaturas de cor não estão associadas diretamente à quantidade de calor gerado pela lâmpada. A luz emitida passa por uma sequência de cores que vai desde o branco alaranjado até o branco azulado.

Nas LEDs atualmente disponíveis no mercado, é comum encontrar as seguintes tonalidades:

A) Quente ou morno, tom amarelo-alaranjado considerado mais próximo da cor emitida pela lâmpada incandescente, sendo mais apropriado para ambientes aconchegantes, como uma residência, quartos e salas de TV (2.700K).

B) Intermediário ou neutro, tom branco mais comum em ambientes de trabalho (entre 3.800 e 4.200K).

C) Frio, tom branco-azulado, mais usado em cozinhas, áreas de serviço e locais que demandem plena iluminação (acima de 6.000K).

 

Fique por dentro

- No que se refere à tensão ou voltagem das lâmpadas LEDs, é possível encontrar no mercado quatro opções: 12 volts (para luminárias), 127 volts, 220 volts ou bivolt. Por isso, antes de escolher um modelo, é importante verificar qual é a compatível com a sua rede elétrica.

- Com a certificação, as LEDs disponíveis no mercado têm que conter a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, também encontrada em outros aparelhos. Ao usar a informação da etiqueta, o consumidor deve observar a equivalência entre as diferentes tecnologias de lâmpadas. Por exemplo: uma incandescente de 60W corresponde a uma fluorescente compacta de 15W que, por sua vez, equivale a uma LED de aproximadamente 10W. Como todas proporcionam fluxo luminoso semelhante, é justamente a menor potência que faz com que as LEDs tenham a melhor eficiência luminosa.

- Com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos, os fabricantes de lâmpadas são obrigados a implantar sistema de logística reversa para lâmpadas com mercúrio, como as fluorescentes compactas, assegurando destinação final segura e ambientalmente adequada.

- O Brasil conta hoje com tecnologia para descontaminar e reciclar mais de 90% dos subprodutos presentes nas lâmpadas. As LEDs também podem ser recicladas, mas ainda não há legislação específica. O ideal é descartá-las em locais apropriados, como os postos de coleta de lojas, revendedores e/ou fabricantes.

- O descarte adequado e a reciclagem de lâmpadas promovem a economia de recursos naturais e evitam contaminações. O mercúrio, metal tóxico e volátil presente nas lâmpadas fluorescentes compactas, quando liberado no meio ambiente, contamina água, solo e ar, além de ameaçar a saúde da população.

- A tecnologia LED também está presente em telefones celulares, aparelhos de TV, leitores de Blu-ray e flashes das câmeras fotográficas.

 

Trânsito de BH dá seu exemplo

Em 2016, a Efficientia, empresa do Grupo Cemig, substituiu cerca de 22 mil lâmpadas incandescentes por lâmpadas LED em todos os semáforos de Belo Horizonte, proporcionando uma economia de 85% para a cidade. O projeto visou racionalizar o uso de energia e proporcionar mais segurança a pedestres e motoristas nas operações de trânsito, otimizando o consumo de energia e reduzindo a demanda de potência do sistema, bem como gastos com manutenção pela troca de lâmpadas queimadas.

Com a mudança, aumentou também a segurança nos cruzamentos, por meio da eliminação do “efeito fantasma”, fenômeno ocorrido quando a luz solar incide diretamente sobre o semáforo, dificultando a distinção da cor acesa. Esse projeto foi fundamental para que a capital mineira conquistasse o 1º lugar na categoria “Meio Ambiente” do prêmio Connected Smart Cities (Cidades Inteligentes do Brasil), promovido pelas empresas Urban Systems e Sator.

De 2002 a 2014, a Efficientia gerou uma economia de energia de 160 mil megawatts-hora/ano, o suficiente para abastecer uma cidade de até 350 mil habitantes. Graças a essa economia, 45 mil toneladas de CO2 equivalente deixaram de ser lançadas na atmosfera.

 


Leia também:

Cidade inteligente: Três perguntas para Isac Roizenblatt, mestre em energia pela Universidade de São Paulo (USP)

Compartilhe

Comentários

Nenhum comentario cadastrado

Escreva um novo comentário
Outras matérias desta edição