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Domingo, 09 de julho de 2017

O espinho que fura e cura

Com propriedades cicatrizantes tanto interna quanto externamente, a espinheira-santa é uma planta que pode auxiliar no tratamento de gastrite e de indigestão

Marcos Guião - redacao@revistaecologico.com.br



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Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia). Foto: Marcos Guião

Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia). Foto: Marcos Guião

No estopim dessa vida de raizada, num tinha dia nem noite que me segurava na ânsia de tomar sentido entre o correto e o duvidoso. Segurança era a busca, pois deu de arrodear gente me procurando na busca de remédio e ainda no verdor dos inícios. Num tinha muitos livros sobre o tema, os tempos eram de escuridão, com o escondido e o proibido vigorando sobre a luz e a liberdade. Na falta da internet, que hoje esfumaça qualquer dúvida, a contação de histórias era a ferramenta das mais poderosas que havia.

Hoje trago a consciência da profunda gratidão que devemos primeiramente aos índios que aqui viviam e passaram aos que estavam chegando este conhecimento. Mas num podemos deslembrar os negros que trouxeram sabedoria e experiência da mãe África e nem os portugueses, pois eles foram os agentes dessa mistura, agregando ainda a ciência europeia pra que todo esse conhecimento se transfigurasse na sabedoria atual.

Pois bem. Tô aqui me alembrando disso pra dizer que nem sempre é fácil se chegar numa planta medicinal e dá logo ponto de uso. Pra ilustrar essa peia, custei a beirar a espinheira-santa (Maytenus ilicifolia), plantinha danada de difícil de ser encontrada em seu estado natural nos Gerais. Ela demanda lugar de terra boa e por isso medra no livre pelo sul do Brasil e em vários outros países da América do Sul.

Me alembro até hoje do dia em que durante uma viagem a Araxá, me embrenhei por entre canteiros de centenas de mudas numa flora e, de repentemente, me deparei com algumas arvoretas de uma planta com folhas duras e espinhudas, que fincam e furam a mão do vivente distraído. Fiquei alvoroçado e feliz com aquele encontro solitário e num tive dúvidas em afirmar que tava ali a espinheira-santa. Dali mesmo consegui umas mudas e esparramei com os amigos pra num ter mais carência da dita.

Esse cuidado foi derivado das suas muitas propriedades cicatrizantes tanto interna quanto externamente. Ela age numa tanteira de tipo de câncer, que vai da leucemia inté o câncer de pele, quando se põe as folhas machucadas por cima da lesão. Mas sua consagração é mesmo nos casos de gastrite, indigestão e queimação no bucho, pois aí se dá regulagem da acidez do estômago.

Com o passar dos anos, venho ouvindo relatos de cura completa de úlcera gástrica, do esôfago e duodeno, sendo ainda indicada pra ajudar no refazimento da flora intestinal, com suave atividade laxante e ajudando na eliminação de toxinas pela pele e rins. Mas o melhor de tudo é que tudo isso acontece sem provocação de nenhum efeito colateral. Pode um treco desses? Só mesmo vindo da natureza...

Inté a próxima lua! 

 

*Marcos Guião é jornalista e consultor em plantas medicinais.

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