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Segunda, 07 de agosto de 2017

O valor que a natureza tem

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Água limpa e potável: valor inestimável no presente e no futuro. Foto: Shutterstock

Água limpa e potável: valor inestimável no presente e no futuro. Foto: Shutterstock

Atento à urgência e também às oportunidades advindas da melhoria da sua gestão com foco no uso sustentável dos recursos naturais, o setor empresarial brasileiro tem procurado amadurecer e avançar. Em algumas empresas e indústrias, a trilha escolhida para pavimentar o caminho da ecoeficiência é a adoção de ferramentas para valoração do capital natural e dos serviços ecossistêmicos a ele vinculados, tais como o abastecimento de água, a polinização de lavouras, a oferta de solos saudáveis e de paisagens de grande valor cênico, ambiental e cultural para as comunidades de seu entorno.

Um exemplo é a iniciativa empresarial Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE), lançada em 2013 pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (GVces/EAESP-FGV). Sua missão é apoiar o empresariado brasileiro na busca da maior compreensão de sua relação de dependência com a biodiversidade, de modo a incorporar novas práticas e valores à sua gestão, tendo o capital natural como um dos pilares na tomada de decisão dos negócios.

Na publicação “Valoração Econômica de Serviços Ecossistêmicos Relacionados aos Negócios”, de 2015, a FGV apresentou dez estudos de caso de empresas participantes de um projeto piloto de aplicação das chamadas Diretrizes Empresariais para a Valoração Econômica de Serviços Ecossistêmicos (Devese).

Desde então, a TeSE vem desenvolvendo, por meio de um processo de construção conjunta com suas empresas-membro, ferramentas destinadas à quantificação, valoração econômica e relato de dependências, bem como impactos sofridos pelas empresas e externalidades por elas causadas, no que se refere a serviços ecossistêmicos.

“Após o desenvolvimento e a publicação de 20 casos empresariais de valoração de serviços ecossistêmicos, entre 2014 e 2015, e de mais 10 casos de 2016, que serão publicados neste ano, entendemos que o grande desafio das empresas está na inserção desses conceitos e no uso concreto dos resultados como um dos elementos para embasar as tomadas de decisões”, avalia Natalia Lutti, gestora de projetos da TeSE, do GVces/FGV.

Nesse sentido, a TeSE vem aprofundando suas pesquisas sobre o uso da valoração de serviços ecossistêmicos como ferramenta de gestão empresarial em temas como gestão de riscos não somente socioambientais, mas também de imagem, financeiros e operacionais. Desde 2013, a iniciativa já contou com a participação de 60 empresas diferentes. Neste ano, são 33 membros.

“Em parceria com o projeto TEEB RL, desenvolvido pela Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ), Ministério do Meio Ambiente, Confederação Nacional da Indústria e federações estaduais das indústrias, desde novembro de 2016 promovemos cinco treinamentos: no Paraná, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Amazonas. Cerca de 115 pessoas foram capacitadas nos conceitos relacionados a serviços ecossistêmicos e às diretrizes de valoração, buscando ampliar a compreensão e o uso da ferramenta pela indústria brasileira. Em Minas Gerais, por exemplo, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), foram capacitadas 25 pessoas de diversos segmentos do setor produtivo”, esclarece a gestora.

 

Potência mundial

Por meio da iniciativa TeSE, o GVces/FGV participou, ainda, do comitê consultivo de construção do Natural Capital Protocol Toolkit, plataforma que sistematiza diversas ferramentas de apoio à análise empresarial de capital natural. Neste ano, além de atuar na disseminação do método e de casos empresariais, a TeSE também tem se dedicado a pesquisar e compartilhar com as empresas-membro como a valoração de serviços ecossistêmicos dialoga com algumas regulações, tais como o Código Florestal, a Lei da Biodiversidade e também com autorregulações, como os projetos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

Para Natalia, engenheira ambiental e mestre em Estudos Climáticos pela Wageningen University, na Holanda, considerando a relevância atual e futura da responsabilidade socioambiental para o crescimento da economia, o Brasil tem chance de ser uma potência no mundo da sustentabilidade. O que certamente trará ganhos de competitividade em um mercado global cada vez mais preocupado com essas questões.

“Os bancos já estão atentos aos riscos relacionados ao capital natural e têm buscado aumentar sua resiliência, por meio, por exemplo, da análise de riscos ambientais e hídricos e também da definição de critérios socioambientais para a concessão de crédito a seus clientes.”

Segundo Natalia, o setor empresarial está atento a tais mudanças de paradigma e busca constantemente responder às pressões, adequar-se e inovar. No entanto, ainda são diversas as iniciativas, temas e fóruns, e poucas as ações concretas voltadas para a inserção dos serviços ecossistêmicos na tomada de decisão.

“Para avançar nessa agenda, o primeiro passo, do ponto de vista empresarial, é entender e mensurar como os negócios dependem e impactam os ecossistemas para, então, pensar melhores alternativas de gestão. Atualmente a TeSE pretende contribuir para essa evolução, a partir dos métodos e casos empresariais publicados”, conclui.

 

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