Terça, 02 de janeiro de 2018

A ampulheta que aceleramos

Vide todos nós, cidadãos comuns, que também falamos muito e fazemos pouco no nosso dia a dia para reverter o tempo que nos resta na ampulheta da vida terrestre, frente à realidade quase irreversível das mudanças climáticas.

Hiram Firmino - hiram@souecologico.com.br



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Quem vai ganhar ou perder nessa disputa global?

Quem vai ganhar ou perder nessa disputa global?

Como já nos ensinaram o teólogo Leonardo Boff e o ex-secretário de Meio Ambiente de BH Ronaldo Vasconcellos, os ambientalistas jamais devem ser vistos, aos olhos da população, como “ecochatos” ou “biodesagradáveis”. Agirem como se assim fossem, do ponto de vista ideológico e denunciativo, só faz a luta ambiental perder as suas poucas trincheiras já conquistadas. Significa não ganhar novos cidadãos com consciência de mundo, os quais deveriam ser todos os habitantes do mundo, a começar pelos nossos políticos e governantes, que ainda tapam os olhos e ouvidos para a realidade quase irreversível da vida em extinção na Terra.

E, por isso, pela defesa do meio ambiente ser ao mesmo tempo um assunto democrático, desagradável e inconveniente, não fazem nada, vide o exemplo maior de Donald Trump, presidente do país mais poluidor do planeta.

Vide a cegueira e a surdez do nosso presidente Michel Temer que, mesmo tendo nadado quando criança nas águas limpas e cheias de peixes do Tietê, jamais se comoveu e fez alguma coisa pelo maior rio morto do estado de São Paulo. Vide todos os nossos ex-presidenciáveis, - incluindo a nossa querida ex-ministra Marina Silva que, nas últimas eleições, em plena crise hídrica e o país envolto em queimadas - não empunharam a bandeira da causa ambiental. E muito menos a defesa da natureza em suas propagandas de governo.

Vide todos nós, cidadãos comuns, que também falamos muito e fazemos pouco no nosso dia a dia para reverter o tempo que nos resta na ampulheta da vida terrestre, frente à realidade quase irreversível das mudanças climáticas.

Daí a importância do novo e incômodo documentário “Uma Verdade Mais Inconveniente”, lançado pelo ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, no apagar das luzes de 2017, assunto principal desta nossa edição de fim de ano. Ele sabe, mais do que ninguém, o que a política internacional não quer saber e finge não ouvir dos “deserdados ambientais”, que hoje são toda a população mundial, sem mais o escudo natural que lhe provinha floresta e água em abundância.

Por pior que seja o cenário, ainda há esperança. O uso da energia solar no Brasil, em substituição inteligente às fontes de energias fósseis e poluentes, por exemplo, subiu 26% este ano em comparação com o anterior. Em Minas, o empate continua. Somos o estado da Região Sudeste que ainda mais destrói a nossa Mata Atlântica. Mas também aquele onde a natureza mais se regenerou, por conta própria, ano passado.

Quem vai ganhar ou perder nessa disputa global? A desesperança ou a esperança ainda no ser humano, mesmo que pela dor? Melhor ouvirmos Al Gore. Ele pode ser ecochato ou biodesagradável, sim. Mesmo inconveniente, ele continua falando a verdade. E só ela pode nos libertar do nosso destino comum, que também pertence às demais formas de vida restantes no planeta.

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, apontou o Cristo,  ambientalista muito mais político, sábio, inteligente e amoroso que já habitou a Terra e morreu por todos nós. E também não foi ouvido até hoje, vide também o nosso inferno climático interior, talvez a causa de todos os males.

Boa leitura!

Até a próxima Lua Cheia! 

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