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Quarta, 07 de janeiro de 2009

Na poeira da Serra do Rola-Moça

Biodiversidade, contemplação, trilhas, mananciais e até uma lenda de amor trágico envolvem o parque estadual mais agarradinho a Belo Horizonte

Ana Elizabeth Diniz



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No Rola Moça acontece a transição rápida de Mata Atlântica para o Cerrado e campos de altitude - Foto: Wikimedia

No Rola Moça acontece a transição rápida de Mata Atlântica para o Cerrado e campos de altitude - Foto: Wikimedia

Um oásis que abriga de tudo um pouco: animais ameaçados de extinção, florestas e campos, em uma área de transição entre o cerrado e a Mata Atlântica. O Parque Estadual Serra do Rola-Moça é o terceiro maior em área urbana do país. Ele foi criado em 1994 para proteger os mananciais de água que abastecem a capital: Taboões, Bálsamo, Catarina, Barreiro e Mutuca, que guardam valiosos remanescentes do Cerrado, matas ciliares e campos ferruginosos, considerados ambientes únicos em Minas Gerais.

Foi um “causo”, para usar o linguajar típico do mineiro, deu nome e vida ao Parque Estadual Serra do Rola-Moça. Lenda ou não, o fato foi imortalizado por Mário de Andrade em um poema antológico. O poeta relata a história de um casal de noivos que, logo após a cerimônia de casamento, cruzou a serra de volta para casa. No caminho, o cavalo da moça escorregou no cascalho e caiu no fundo do grotão. O marido, desesperado, esporou seu cavalo ribanceira abaixo e "a Serra do Rola-Moça/ Rola-Moça se chamou".

E quem é que não se aventurou em passeio serra abaixo, se inebriando com a natureza quase intocada, com o colorido especial de orquídeas, bromélias, candeias, jacarandás, cedros, jequitibás, arnicas e a canelas-de-ema, que se tornaram o símbolo do parque?  A reserva natural está localizada na porção sul do Complexo da Serra do Espinhaço, considerada a única cordilheira do Brasil e declarada Reserva Mundial da Biosfera.

Situado na confluência das serras do Curral, Moeda e Três Irmãos, o parque tem destacada importância ecológica, biodiversidade especial e um habitat natural de espécies da fauna ameaçadas de extinção: onças pardas, jaguatiricas, lobos-guará, gatos mouriscos, gatos-do-mato, raposas, mãos-peladas, coatis, iraras, lontras, ouriços, preás, tamanduás-de-colete, tatus-peba, tatus-galinha, caititus, macucos, veados campeiros, veados catingueiros, guigós e micos-estrela.

Vegetação típica do Parque - Foto: Evaldo Vilela/Flickr

Tensão bela - Ali acontece o que se chama de zona de tensão ecológica. Isto significa a ocorrência de transição rápida de Mata Atlântica para o Cerrado e campos de altitude. A vegetação é diversificada, onde  são encontradas espécies como ipês, cambuís, aroeiras brancas, xaxins, sangras d'água, canelas, unhas-de-vaca, paus-d'óleo, quaresmeiras, cangeranas, cedros, carnes-de-vaca, cambotás, paus-ferro, pequis, jacarandás do cerrado, ipês-cascudos, muricis, jatobás-do-cerrado, paus-santos, paus-de-tucano, araticuns e canelas-de-ema.

Agarradinho a Belo Horizonte, o parque oferece ótimas opções de passeios como trilhas, cachoeiras, grutas, sítios históricos arqueológicos e esportes de aventura. Uma caminhada pela Serra da Calçada descortina trechos por onde o ouro era transportado durante o período do Brasil Colônia. Levantamentos arqueológicos feitos na área detectaram registros de ruínas de um forte do século XVIII que parecer ter sido uma fundição clandestina de moedas. Uma fortaleza militar do período da Guerra dos Emboabas. Ou ainda uma antiga senzala ou estábulo. No parque há ainda dois abrigos com pinturas rupestres e outras antigas estruturas mineradoras.

Ir à Serra do Rola-Moça é também - e principalmente - dar uma paradinha nos mirantes e deixar a retina se impregnar pelo visual deslumbrante que descortina outras serras, outros horizontes desta cidade que chegou aos 111 anos ainda bela e exuberante como poucas. Não existe melhor e mais perto lugar na chamada “Área de Proteção Ambiental da Porção Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte (APA-SUL) para se ver um pôr-do-sol e  nascer da lua.

Fique por dentro
Área do parque: 3.941 hectares
Onde: região Metropolitana, abrangendo os municípios de Belo Horizonte, Nova Lima, Ibirité e Brumadinho
Distância: 30 quilômetros pelo acesso do bairro Jardim Canadá
Acessos: a partir de BH pode ser feito pela Br-040, sentido Rio de Janeiro. Entrar à direita no Posto Chefão, segunda rua à direita (avenida Montreal), no bairro Jardim Canadá e prosseguir até a portaria principal do parque. O outro acesso é pela portaria do Barreiro, sentido via Geraldo Dias no bairro Barreiro de Cima, também em Belo Horizonte.
Clima: localizado a 1.300 metros acima do nível do mar, o clima é tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco. A temperatura oscila entre 10,8 e 34,1 graus, caracterizando-se pelo predomínio de temperaturas amenas durante todo o ano, com média em torno dos 18 graus.
Horário de funcionamento: das 7 às 17h
Contato: (31) 3581-3523
perolamoca@ief.mg.gov.br

Leia a poesia “A serra do Rola-Moça”, de Mário de Andrade, na versão impressa da Ecológico 03.

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