Sexta, 14 de outubro de 2011
DESAPRENDER, JÁ!
O planeta não pode esperar
Foto: Marcos Guião
Felizmente, há um despertar cada vez mais amplo das pessoas para a busca de uma solução, a curtíssimo prazo, para a crise ecológica que afeta o planeta. Grandes desafios estão diante de todos nós. Como criar as condições técnicas para ampliar a vida útil dos produtos e fazer da política de reaproveitamento um dos pilares da sustentabilidade? Precisamos agir rápido. O planeta não pode esperar.
Desse modo, é preciso que todos em conjunto arem a terra e lancem as sementes de uma nova pedagogia, cuja finalidade seria... ajudar a esquecer muitos ensinamentos que minimizam a relação homem/natureza. Ensinamentos que enfatizam a ideia absurda de que as coisas estão aí para nos servir, à nossa disposição. Além de pintarmos de verde esse novo ‘edifício’ pedagógico, devemos incentivar, principalmente as novas gerações, a desaprender que:
- Somos os donos das coisas do mundo e que os recursos são infinitos (Bobagem, eles são finitos como nosso próprio corpo);
- A natureza não precisa de cuidados, já que ela não é humana. É, sim, uma simples coisa (Que disparate! Ela nunca precisou tanto de nós como agora!);
- A cultura é vista apenas como as coisas que transformamos para o uso pessoal e social (Outra cegueira histórica, cultura é natureza transformada, mas ainda natureza);
- A natureza é o lugar do irracional, do sujo, do selvagem. E, portanto, do perigoso (O natural é fonte sagrada da Criação);
- A cidade é o nosso Paraíso, ela será o refúgio seguro de todos (Sabemos que hoje a cidade se tornou mais insegura que uma floresta. Pense nisso!).
- É preciso consumir mais para gerar lucros, novos investimentos, empregos e produtos, numa rotatividade sem fim (Vejam vocês a enrascada em que, historicamente, nos metemos...).
- O homem é o rei dos animais, que nasceram para serem dominados. E que seria humilhante nos comparar a eles (A verdadeira sabedoria está na humildade para reconhecermos que somos apenas um elo na admirável rede das interações ecossistêmicas).
- Com a tecnologia iremos resolver todos os problemas humanos, criar uma sociedade de bem-estar (A alma precisa é de outras respirações, olhares mais abrangentes, longos horizontes, e muito, muito amor);
- Bicho é bicho e gente é gente (Tá bom... E nosso corpo, nossas unhas, nossas loucuras animalescas?).
Em suma, isso é apenas um pequeno esboço do que nós todos precisamos fazer para criar um novo ideário pedagógico, pois assim observaremos o mundo com outros olhos. É por isso que o educador também precisa ser reeducado para a nova tarefa. Só assim a sensatez e o bom senso prevalecerão sobre a soberba e a prepotência. Com isso, podemos recuperar a experiência renovadora das utopias que são fonte de esperança.
(*) Ambientalista e professor de Filosofia da PUC Minas.
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