Sexta, 14 de outubro de 2011

APRENDENDO COM O MEIO AMBIENTE

Projeto ecopedagógico da Estalagem Fazenda Lazer, em Carandaí, a 134 km da capital mineira, tem conquistado professores e alunos

Ana Elizabeth Diniz - redacao@revistaecologico.com.br



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Foto: Ronaldo Guimarães

Foto: Ronaldo Guimarães

O gosto pela terra, a lida diária, o compromisso social em fixar o homem no campo e o engajamento natural com a questão ambiental foram características determinantes para que o empresário Antônio Calais trocasse, há 15 anos, o agronegócio pelo ecoturismo. Ótima sacada. A Estalagem Fazenda Lazer, propriedade de 80 alqueires localizada em uma área de Mata Atlântica em Carandaí, a 134 quilômetros de Belo Horizonte, no Campo das Vertentes, seduz pela exuberância natural, pelo clima de fazenda, excelente infraestrutura e pela prática do turismo sustentável.

E o melhor: “Fazemos com paixão”, entrega Calais, um apaixonado pela terra e pelas orquídeas que enfeitam o espaço e recebem o seu carinho pessoal em estufas que abrigam centenas de espécies. Seu filho, o engenheiro ambiental Vinícius Calais, conta que aos poucos a ideia é associar o hotel às orquídeas.

Vinícius coordena o projeto ecopedagógico que começou a ser implantado no ano passado e, desde então, tem atraído professores, diretores e alunos de diversas escolas de Belo Horizonte e Zona da Mata. “Todas as nossas atividades levam em conta a preservação da natureza, o desenvolvimento econômico, a economia de recursos naturais, a reciclagem e a compostagem. A natureza produz o suficiente para nossa sobrevivência. Se cada um aproveitasse apenas o que lhe fosse necessário, não haveria no mundo tanta destruição, poluição e pobreza. Preservação ambiental significa compromisso com a vida”, defende Vinícius.

O objetivo dos projetos é promover a educação ambiental em meio à natureza e sensibilizar os participantes sobre a importância da preservação para a melhoria da qualidade de vida dessa e das futuras gerações. “As atividades são desenvolvidas de acordo com a proposta pedagógica de cada instituição de ensino e podem ser adaptadas aos conteúdos buscando assim uma melhor interatividade dos alunos com as disciplinas. Durante toda a programação, são desenvolvidas gincanas ecológicas para que haja uma melhor fixação dos temas”, explica Sérgio Scalabrini, consultor pedagógico.

A conscientização começa ainda nos chalés onde os hospedes são orientados, através de folhetos, a emitirem sinais claros para as camareiras, deixando penduradas as toalhas que serão usadas novamente e sobre a pia as que devem ser lavadas. Latas de refrigerantes, garrafas e papéis são separados em baias e doados para a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Casa Grande, beneficiando pelo menos 20 famílias.

Na cozinha, a máxima “nada se perde, tudo se transforma” é seguida. O óleo usado vira sabão. As sobras de comida alimentam os porcos enquanto as cascas seguem para o setor de compostagem, implantado a pouco mais de um mês. “Esse processo de decomposição é realizado por microorganismos onde ocorre a oxidação e oxigenação da matéria orgânica, podendo variar de uns poucos dias para várias semanas, de acordo com a umidade e temperatura. O composto é considerado pronto quando não houver mais percepção de aquecimento e daí ele pode ser usado como adubo ou direcionado para alimentação do minhocário”, explica Vinícius.

A fazenda conta com uma estação de tratamento de esgoto com fossas sépticas que recebem os dejetos dos banheiros, retêm a parte sólida e iniciam o processo biológico de purificação da parte líquida (efluente). Esse processo permite a descontaminação da água que segue para o córrego.

E por falar em água, dentro do projeto Ecopedagógico, alunos e professores participam das atividades do programa “Parceiro da Água”, onde ficam sabendo, por exemplo que a fazenda faz parte das bacias do Paraopeba de Rio das Mortes e ainda sobre a importância da mata ciliar; e dos afluentes para o rio principal; a compreender o ciclo da água, a importância do ser humano nesse processo e  observar aspectos sobre a poluição do ecossistema aquático.

Caminho verde - Símbolo da resistência e persistência da natureza é o Parque Ecológico, uma área com pouco mais de três hectares que no passado apresentava vários pontos erodidos. O que se vê agora é a Mata Atlântica tomando conta majestosa do local, cujo passeio revela muitos troncos de árvores cobertos por manchas ora vermelhas, brancas ou amarelas, bioindicadores naturais da qualidade do ar.

Quem vai mostrando as espécies é Jovino Inácio Coimbra, 43, que há 10 anos é o zelador ambiental do parque. “Com o óleo da copaíba se faz remédio para a gripe, é bom expectorante. O óleo tomado com um bocado de água previne um monte de doenças. A carqueja combate os vermes, a são Domingos é indicada para bronquite e tosse, erva-de-bicho é boa para dor de garanta, a unha de vaca para o intestino atrapalhado e a folha do maracujá acalma que só ela”.

Durante o trajeto feito pela mata, entrecortado por pinguelas, parada para tomar água fresquinha da nascente e admirar as sucupiras, aroeiras, pau-d´óleo e pindaíba. Jovino diz que por lá existe lobo-guará, tamanduá, jaguatirica, ouriço-caixeiro, tatu, veado e mico-estrela. Isso sem falar no grupo de macacos barbados que se alimentam nas mãos das crianças na área externa do restaurante, do tucano dócil que sobe nos braços da meninada, da seriema e outros animais que encantam os baixinhos e os seus pais.

E já que falamos em animais, a fazenda oferece a vivência rural, em que pode se conhecer o processo de produção do leite e seus derivados; observar as práticas e os cuidados exigidos na criação de bovinos, equinos e caprinos; conhecer a atração Boiadeiros, um espaço onde o adestrador Adriano interage com os animais, a Cabritolândia, com curiosidades sobre as cabras; visita ao galinheiro e berçário de aves. A horta, totalmente orgânica, é atração a parte. Dezenas de canteiros bem cuidados dão água na boca: repolho, couve, espinafre, rúcula, mostarda, almeirão, brócolis, pimentas (biquinho, dedo-de-moça e malagueta), cheiros verdes, alface de vários tipos e um pomar. Vinicius lembra que a fazenda é autosuficiente em verduras de folhas. Um luxo a mais para os hóspedes.

O diretor do Colégio Padre Machado, professor Antônio Carlos Faria, participava com um grupo de professores da rede particular de Belo Horizonte e Juiz de Fora, de uma visita ao hotel fazenda. Mas não era sua primeira vez. “Nos últimos quatro anos trago meus alunos do ensino fundamental e médio para participar do Projeto Ecopedagógico e posso dizer que essa experiência tem sido transformadora na vida desses jovens. Aqui é uma extensão da escola dos nossos sonhos e colocamos em prática a multidisciplinaridade de saberes fundamentais para a consciência ecológica”.

Faria lamenta o fato de muitas escolas ficarem atadas apenas à grade escolar, “restritas à mesmice. Essa vivência em meio à natureza oferece aos alunos e professores algo que extrapola a razão. É uma experiência de cheiros e sensações. Uma atividade desafiadora de mostrar, na prática, aos jovens a necessidade de preservar a natureza”.

O Hotel

- 36 apartamentos em sete categorias, incluindo o panorâmico, de madeira, em meio à copa das árvores;
- Piscina, sauna, hidroterapia e hidroginástica, massagem, quadras ;
- Cavalgada, Cabritolândia e Boiadeiros;
- Leite ao ‘pé da vaca’;
- Reserva Ecológica;
- Parque Ecológico com trilhas pela mata com monitores;
- Pesca;
- Roda de viola;
- Passeio de chalana;

Saiba mais

Informações sobre o projeto ecopedagógico e agendamento
de grupos de alunos e professores pelos telefones:
(31) 3045-2777 e 2551-5740.

Site: www.estalagemfazendalazer.com.br

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