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Quinta, 15 de dezembro de 2011

FUNDAÇÃO BIODIVERSITAS

O programa que salva

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Foto: Helena Leão

Foto: Helena Leão

Uma das ONGs mais antigas de Minas, foi fundada há 23 anos na capital mineira e tem mais de 500 projetos executados e 21 livros publicados. É proprietária e responsável pela conservação de três áreas verdes protegidas: as RPPNs Mata do Sossego e a Estação Ecológica de Canudos (EBC).  Atuante no levantamento e aplicação do conhecimento científico e ecológico, a instituição tem se destacado por vários projetos de conservação da fauna e flora do país, como o Programa de Conservação in situ da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), desenvolvido na EBC, região do município de Canudos, em pleno sertão baiano.

Endêmica da caatinga baiana, a arara-azul-de-lear (foto acima) é uma das espécies de aves menos conhecidas do país. E uma das mais ameaçadas. O projeto nasceu após a Biodiversitas adquirir uma área de 130 hectares,  em 1993, com o apoio do Fundo Judith Hart, da África do Sul. Com a criação da EBC, foi possível estender ainda mais as ações de proteção à espécie, incluindo pesquisas científicas, promoção da educação ambiental e intenso trabalho de fiscalização.

Com isso, a Biodiversitas conseguiu aumentar em 2000% o número de exemplares da arara-azul-de-lear na região: de apenas 13, na década de 80, passou para 1.200 este ano. O apoio de organizações internacionais, como a American Bird Conservancy (ABC), também foi primordial para que a instituição ampliasse a área da estação para 1.500 hectares.

"Tudo conspira para a arara desaparecer. A espécie sofreu muito com o tráfico e a falta de alimento, por conta da destruição de seu hábitat. Hoje ela saiu da situação de 'criticamente ameaçada' para o de 'ameaçada de extinção'. A situação melhorou muito, mas o trabalho para preservá-la continua", ressalta Tânia Maria Alves, bióloga e gerente da EBC, uma apaixonada confessa pela arara-azul-de-lear.

Segundo Tânia, a espécie se reproduz apenas uma vez por ano e, após formado o casal, os pássaros são extremamente fiéis e companheiros. "Por se reproduzir apenas uma vez, é  necessário que a área da estação seja bem fiscalizada. Um dos motivos que ajudaram no aumento de exemplares foi o controle de acesso à área. E, claro, a participação da população local, que tem um sentimento de zelo fora do comum pela reserva", disse.

Com duas bases de campo estrategicamente localizadas nas extremidades norte e noroeste da reserva, próximas aos acessos dos paredões rochosos (áreas onde a arara-azul-de-lear faz seus ninhos), a EBC ainda conta com quatro guarda-parques, que fazem rondas diárias todos os dias da semana. As bases funcionam também como pontos de apoio para funcionários, pesquisadores e visitantes da reserva, que não é aberta à visitação pública.

PARA SABER MAIS:

www.biodiversitas.org.br

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