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Quinta, 10 de maio de 2012

Tomaram a frente, as fundiárias e depois as costelas

Assentada pelo Incra teve sua terra invadida por grileiro, que colocou cercas em áreas que pertencem a ela

Ana Aranha - publica@gmail.com



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Foto: Ana Aranha/Agência Pública

Foto: Ana Aranha/Agência Pública

An­tô­nia Ma­ria dos San­tos, 53 anos, nas­ceu no se­rin­gal Oco do Mun­do, no Acre, on­de apren­deu a vi­ver do que ti­ra da flo­res­ta e do que plan­ta. Foi is­so que ela fez nos úl­ti­mos 10 anos den­tro do as­sen­ta­men­to Ge­deão on­de, com o fo­men­to da­do pe­lo In­cra, plan­tou ar­roz, mi­lho, ma­ca­xei­ra, ba­na­na, aba­ca­xi e me­lan­cia. Ho­je, po­rém, ela es­tá im­pe­di­da de plan­tar, ti­rar cas­ta­nha, açaí ou bor­ra­cha, pois o seu ter­re­no foi qua­se to­do to­ma­do por gri­lei­ros.
Co­me­çou há qua­tro anos, quan­do ela te­ve de ir pa­ra Rio Bran­co pas­sar umas se­ma­nas com a mãe doen­te. O ma­ri­do es­ta­va so­zi­nho em ca­sa quan­do des­co­briu que um gri­lei­ro ti­nha man­da­do abrir uma “pi­ca­da” (ca­mi­nho no meio da ma­ta) que cor­ta­va o ter­re­no de An­tô­nia pe­la me­ta­de. Os ho­mens con­tra­ta­dos pa­ra o ser­vi­ço tra­ba­lha­vam ar­ma­dos e di­ziam que a área ha­via si­do ven­di­da pa­ra um gri­lei­ro.
“Veio um bo­ca­do de gen­te aqui do as­sen­ta­men­to pa­ra me aju­dar”, diz Rai­mun­do Pai­va da Cos­ta, ma­ri­do de An­tô­nia. “A gen­te dis­se que não po­dia en­trar por­que ti­nha que res­pei­tar o pi­que fei­to pe­lo fa­le­ci­do Ge­deão [pri­mei­ro lí­der do as­sen­ta­men­to]. Eles res­pon­de­ram que o Ge­deão ago­ra tá me­din­do pi­que no in­fer­no. Aí o po­vo de­sis­tiu”.
A área to­ma­da era a par­te pre­ser­va­da do lo­te, a ma­ta na­ti­va de on­de a fa­mí­lia ti­ra­va cas­ta­nha, açaí e bor­ra­cha. Me­ses de­pois, o ir­mão de An­tô­nia an­da­va por es­sa área quan­do foi en­con­tra­do pe­lo gru­po e agre­di­do com um so­co no ros­to. Em ou­tro epi­só­dio, Rai­mun­do te­ve sua en­xa­da to­ma­da e qua­se apa­nhou quan­do a pe­diu de vol­ta.
Com me­do das amea­ças se con­cre­ti­za­rem, o ca­sal re­sol­veu to­car a vi­da na me­ta­de que so­brou do ter­re­no. No se­gun­do se­mes­tre de 2011, po­rém, lo­go de­pois de uma vi­si­ta do In­cra, o mes­mo gri­lei­ro cer­cou a fren­te e o la­do do lo­te, dei­xan­do o ca­sal res­tri­to à área ao re­dor da ca­sa. “To­ma­ram a fren­te, as fun­diá­rias e de­pois as cos­te­las, me dei­xa­ram só com es­se pe­da­ci­nho aqui que não dá pra na­da”, diz An­tô­nia.
Uma car­ta re­la­tan­do o ca­so foi en­via­da ao In­cra em no­vem­bro de 2011. Ho­je, o gri­lei­ro ar­ren­da o ter­re­no que ti­rou de­la. Ele ga­nha R$ 7 por ca­be­ça de ga­do ao mês pa­ra alu­gar o pas­to que in­va­diu.

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