Terça, 03 de julho de 2012
O avanço dos megaprefeitos
Prefeitos das maiores cidades do mundo se comprometeram a reduzir suas emissões até 2020, independente de qualquer acordo
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / ABR
Nem tudo foi perdido, como muitos lamentaram na Rio + 20. Pelo contrário, o maior e mais pragmático exemplo na área política partiu do Grupo C40, integrado pelos prefeitos das 59 megacidades cidades do planeta. Liderados por Michael Bloomberg (Nova York) e Eduardo Paes (Rio de Janeiro), eles anunciaram reduzir em até 248 milhões de toneladas as emissões de gases de efeito estufa até as próximas duas décadas. E ainda há potencial para reduzi-las em cerca de 1,3 bilhão de toneladas até 2030, mais do que o México e o Canadá poluíram juntos em 2008.
Paes afirmou que este compromisso não foi apenas uma carta de intenções, mas um desafio real assumido globalmente: “Mais que uma obrigação, o Rio será o seu guardião”. Já Bloomberg, que preside o G40, lembrou que as megacidades associadas já vêm implementando estratégias significativas de redução da poluição atmosféricas em seus territórios independente de metas oficiais: “Não esperamos os governos nacionais tomarem a dianteira e aprovarem recursos”.
Ele citou o exemplo de Nova York, que já reduziu em 13% o que causava em seus cidadãos nos últimos cinco anos. E adiantou que, em parceria com o Banco Mundial, será criado um site com as melhores práticas entre as cidades do C40, além de identificar similaridades entre políticas, estratégias de financiamento e parcerias sustentáveis, para ações de governança locais.
Em 2011, este grupo de cidades respondeu por 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global ou US$ 13 trilhões de dólares. Por serem megas, elas também são as que mais poluem no planeta, detendo 14% das emissões globais que provocam o aquecimento e as mudanças climáticas. A previsão é de que, se nada for feito, em 2030, essas cidades estarão produzindo 2,3 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa.
“O grupo dos 20 mais ricos no mundo se reuniu no México e 80% não vieram. E continuará assim enquanto não mudar essa relação de poder”
Rafael Correa, presidente do Equador
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