Terça, 03 de julho de 2012
A mudança já começou
No “Século das Cidades”, a partir de seus prefeitos, as urbes do planeta terão de ser soluções e não problemas
Foto: Reprodução Internet
O mundo não dá saltos e o ser humano é um ser de linguagem. Baseado nesses dois fatos inequívocos era de se esperar que usássemos os últimos 20 anos, desde a Rio-92, para discutir, negociar e entender o conceito de desenvolvimento sustentável e instaurar as infraestruturas políticas, administrativas, econômicas e sociais necessárias à sua aplicação. Agora, porém, é o momento de ação, ou de partida – iniciar a corrida, melhor dizendo – como afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, na abertura do Congresso Mundial do Iclei 2012, em Belo Horizonte – aliás, o maior congresso da história da instituição, com 1,2 mil participantes de 64 países.
Como disse Martin Lees, ex-secretário do Iclei e membro do Clube de Roma, em sua palestra “O Estado do Mundo”: “O problema não é falta de soluções e de boas intenções, mas sim a falta de visão e liderança. Estamos falhando em nossas responsabilidades estratégicas”. Porém, como ficou comprovado durante os quatro dias de debates, muito já tem sido feito. Várias soluções foram desenvolvidas, testadas, comprovadas e aplicadas por cidades ao redor do mundo, buscando não somente oferecer um ambiente saudável aos seus cidadãos, mas também combater e se adaptar as mudanças climáticas, e pensando naqueles que virão se somar à população urbana.
O fundador do Iclei, o visionário Jeb Brugmann, no seu painel “Mudando o Mundo em Tempo Real”, apresentou o próximo conceito vanguardista e estratégia de futuro de ‘cidades produtivas’ (leia a entrevista exclusiva na página 30), dedicou algum tempo para relembrar o que as cidades – ou melhor, os nossos líderes políticos locais, junto com os cidadãos, comunidade empresarial e científica – já fizeram nessas últimas duas décadas e como já evoluímos também sustentavelmente. Claro que muito ainda precisa ser feito. Mas o tiro de partida foi dado – pelas cidades. Mas ressalto aqui, o comentário de Brugmann ao terminar essa revisão: “Temos feito muito. Eu não sei porque subestimamos o nosso poder”.
Talvez porque muito, mas muito mesmo, ainda precisa ser feito para enfrentar os desafios atuais e aqueles que serão adicionados ao mundo de 2050, com 9 bilhões de pessoas, entre elas 6,7 bilhões de cidadãos urbanos e não mais rurais. “Agora é o momento de mudança radical”, conclamou Martin Lees. “Esse é o momento exato de revigorar nossa audácia, imaginação, inventividade. Temos que ter coragem de fazer coisas, mesmo que pareçamos estranhos aos olhos dos outros”, completou Brugmann.
Cidade produtiva
O conceito de cidade ecologicamente sustentável ainda está em construção. O Iclei vem trabalhando com oito agendas, abordando diferentes temas, cada um sendo aplicado por uma rede de cidades de diferentes continentes. Mas antes mesmo de elaborar uma definição única, a instituição já está olhando para o futuro e alertando: as cidades precisam ser as produtoras de seus próprios recursos naturais se quisermos alcançar, em nível local, nacional e global, uma economia sustentável.
“De fato, o que fazemos como cidades é tentar transformar o mundo em que vivemos”, afirmou o presidente do Iclei, David Cadman. Pensemos sobre isso: no final desse século, 90% da população global estará vivendo em cidades. É nelas que as ações devem ser praticadas, e as soluções adotadas. Por isso, o Iclei, cumprindo sua tarefa de conectar líderes, precisa acelerar a ação e ser um portal de soluções, centra seu foco de atuação também no futuro.
“Já passou o tempo de se perguntar quem é o responsável por ter criado a situação em que nos encontramos. O dia de hoje traz a urgência de governos nacionais estabelecerem estratégias sustentáveis de ação e apoiarem sua implementação pelas cidades. E as cidades, por sua vez, têm de trilhar por conta própria o seu caminho de sustentabilidade”, ressaltou Konrad Otto-Zimmermann, secretário-geral do Iclei.
E com base em todas as palestras apresentadas durante o congresso é possível afirmar que a revolução urbana já está em andamento. Na prática, são as cidades que estão puxando o ‘trem’ da sustentabilidade global. E atrás delas, a governança local, os prefeitos que já enxergam o único futuro pela frente: tornar suas cidades sustentáveis. Essa é a mudança, sem volta, que já começou!
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