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Terça, 03 de julho de 2012

Uma cadeia de valor

Unindo as pontas soltas dos resíduos sólidos eletroeletrônicos

Roberto Fraqncisco de Souza (*) redacao@revistaecologico.com.br



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Foto:  Kode

Foto: Kode

A questão do reprocessamento dos resíduos sólidos eletroeletrônicos há muito tempo já se tornou caso de cadeia. Não me entenda mal, leitor. Não é que eu queira prender alguém para obrigar que as coisas comecem mesmo a acontecer. O caso aqui é outro.

Iniciativas aqui e ali já acontecem no Brasil há mais de dez anos,  e cada uma delas, seja do setor público ou da iniciativa privada, merece seu crédito, é fato, mas as pontas do novelo estão soltas.

Em contato com organizações internacionais de renome como o instituto suíço Empa, aprendi que outros países estão mais avançados que nós, não por uma questão de tecnologia, mas de vontade. Nós já sabemos fazer cada uma das fases do processamento dos resíduos, podemos depender de investimento para adquirir equipamentos, mas há um mercado crescente e, com mercado, esses  assuntos  se resolvem. Na verdade, outras três questões são mais urgentes.

A primeira, da qual já tratei em outro artigo, é a questão da escala. Nenhuma cadeia de valor vai funcionar bem se as políticas públicas não exigirem  e se a iniciativa privada não propiciar volumes significativos de resíduos a serem tratados e de forma concentrada. É colocar em prática a logística reversa determinada pela Lei Federal 12.305 de 2010 que trata exatamente dos resíduos sólidos.

A segunda questão é a união das tais pontas soltas, isto é, garantir que os geradores de resíduos conectem-se a quem pode fazer a descaracterização dos equipamentos. E essa responsabilidade é da indústria, que já descobriu que esse processamento final,é um novo jeito de fazer “ mineração” mais interessante que o tradicional. Tudo isso precisa ser feito de forma contínua porque, se um parar, todos param.

Garantidos esses procedimentos, precisamos estar certos de que tudo está sendo feito de forma correta. E essa é a terceira questão: a certificação da cadeia. Se estudos demonstram que os brasileiros prestam cada vez mais atenção ao consumo sustentável, alguém terá que dizer a eles que, no item dos eletroeletrônicos, a empresa Fulana merece mais crédito que a Sicrana porque os produtos da primeira não agridem, de verdade, o meio ambiente. Isso vale para as empresas que fabricam tecnologias da informação tanto quanto para as que as consomem em seus processos produtivos.

Passei os últimos oito anos esperando que um órgão com esta função fizesse o favor de se apresentar ao mercado de forma efetiva. Percebi que nem sempre certificados ambientais obtidos por organizações  fiscalizam a destinação correta dos resíduos sólidos eletroeletrônicos.

Sem querer esperar mais avanço trabalhando para que as certificações cheguem de fato ao Brasil, respeitadas e remuneradas. O objetivo é garantir uma cadeia de valores eficiente e sem excluir as populações que prestam grande serviço ao país, como as cooperativas de catadores.

Precisamos fazer isso antes que o assunto se torne, de verdade, um caso de cadeia, mas cadeia de polícia.

 

(*) Diretor-geral da Plansis, vice-presidente de Sustentabilidade da SUCESU-MG

e presidente do Comitê para a

Democratização da Informática - CDI.

 

Conheça iniciativas para certificação de cadeias de valor em Resíduos Sólidos Eletroeletrônicos:

 

Um pouco do que é:

http://www.empa.ch/

 

RIOS:

http://goo.gl/TwbYv

 

Se você gostou

http://goo.gl/rp6hR

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