Terça, 03 de julho de 2012

Seja um anjo: vá de bicicleta!

Mais que uma prática saudável, pedalar é uma alternativa verde

Cristiane Mendonça - redacao@revistaecologico.com.br



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Foto: Fernanda Mann

Foto: Fernanda Mann

Todo morador de cidade grande já viveu um dia de rush - horário em que o tráfego de veículos aumenta e resulta em vias lotadas. Na cidade de Utrecht, na Holanda, também há rush, porém de bicicletas. Um vídeo de dois minutos (veja em http://migre.me/8DvQt) mostra um vai e vem intenso de ciclistas, que também precisam respeitar as sinalizações e os pedestres. O benefício é que nesse caso não há poluição, além de ser uma atividade saudável.

A cena que parece distante da realidade brasileira é um sonho possível para muitos adeptos do ciclismo no país. Unidos em grupos, eles levantam a bandeira da sustentabilidade e da qualidade de vida por meio das “magrelas”. Um bom exemplo é o grupo Bike Anjo - iniciativa voluntária que agrega 170 ciclistas em 40 cidades. Juntos eles têm o objetivo de ensinar como andar de bicicleta com segurança. No site www.bikeanjo.com.br eles promovem encontros entre esportistas experientes e pessoas que desejam aprender a pedalar e conhecer rotas mais favoráveis para ciclistas. Basta preencher um formulário online com perguntas simples. Sem custo algum, um bike anjo será localizado e dará instruções de acordo com as necessidades do interessado.

Em Belo Horizonte, o grupo é novo. A ação começou em fevereiro deste ano, já ajudou cerca de 20 pessoas e conta com três bike-anjos. Um deles é Guilherme Lara Camargos Tampieri que pedala há cinco anos e se confessa apaixonado pela prática. “Com a bicicleta, ao contrário do carro, você vive o ambiente externo! Se sente parte do coletivo, já que tem visão de pedestre no fluxo dos veículos.” Tampieri defende uma coexistência pacífica entre automóveis e bikes, já que acredita que a rua é tanto lugar de motorista quanto de ciclista. E pede para que existam mais ciclovias adequadas, que incentivem o uso das bicicletas. Regimentos que precisam da mobilização dos cidadãos para acontecer de fato. Em Londres, por exemplo, uma organização não governamental promove uma campanha cuja proposta é que, nas eleições deste ano, candidatos à prefeitura assumam o compromisso de tornar as cidades mais aptas ao ciclismo.

Prática que a advogada Marina Lopes adotou com mais confiança depois das dicas dos bike-anjos. O primeiro passo foi escolher a bicicleta ideal para seu tamanho e atividades. Após a compra, entrou em contato com o grupo para conhecer as rotas mais seguras para ir ao trabalho, ao curso de pós-graduação e à academia. Cansada do trânsito caótico e decidida a ter um comportamento ambiental que fizesse a diferença, a advogada elogiou o trabalho voluntário dos ciclistas. “O passeio foi ótimo e dentro das rotas em que pretendo iniciar meu longo caminho de pedaladas por essa cidade que adoro!”

Outros ciclistas 

Além do Bike Anjo BH, existem mais 15 grupos de ciclistas registrados na página www.bikeanjobh.wordpress.com. Com objetivo de promover um simples passeio ou formar grupos mais engajados, os pedaleiros combinam dia e local para o encontro. São uniões como  a do grupo Giro30, que parte toda as quintas-feiras da Igrejinha da Pampulha, ou de um grupo exclusivamente feminino chamado Pedal de Salto Alto que, como o próprio nome diz, reúne mulheres que pedalam sem abrir mão da vaidade.

Acordo legal

Ciclistas, em grupos ou isolados, têm deveres e direitos. O Código Nacional de Trânsito exige que o condutor das bicicletas respeite sinais, faixas e pedestres, ande no fluxo dos carros, tal como qualquer motorista. Porém, quando empurra a bicicleta, o ciclista tem os mesmos direitos e deveres de um pedestre.

Existe também a Lei Estadual 16.939 de 2007 que incentiva o uso das bikes, ela prevê campanhas de conscientização, estímulo a projetos de criação de ciclovias e incentivo ao associativismo desses atletas. Já na capital mineira, existe o projeto municipal Pedala BH, que tem como foco promover o uso da bicicleta na capital, criando facilidades para quem optar por esse meio de transporte. As propostas vão desde a definição e implantação de rotas cicloviárias e estacionamentos, até campanhas de educação e de segurança no trânsito.

 

‘‘É um esporte de rua e trilha que me faz bem!’’

“Eu pedalo há 15 anos, mas de uns três anos para cá tenho tentado pedalar duas vezes por semana, numa faixa de 50 km. O ciclismo é demais, você descobre a cidade, bairros e curiosidades que se quer imaginava. É um olhar sobre o mundo a partir de uma bicicleta! Participo de dois grupos de ciclistas que sempre combinam os pontos de partida pela internet. Tenho também um amigo que compartilha comigo passeios à tarde por trilhas e pontos turísticos como Pampulha, Mirante da Praça do Papa e até mesmo avenidas como a Tereza Cristina. Belo Horizonte é uma cidade bem servida! Pena é que as ciclovias muitas vezes são desencontradas e passam por pontos que não são apropriados ou seguros para um ciclista.”

Valdemar Valverde, analista ambiental da Semad e psicólogo

Foto: Marcos Takamatsu

 

 

SETE DICAS DE SEGURANÇA:

1 Não pedale na contramão: embora enxergar os carros de frente possa dar uma sensação de segurança, ela é ilusória.

2 Pedale sempre de forma visível e previsível: ande pelo canto direito da rua, ou pelo esquerdo quando for convergir à esquerda, sem ziguezaguear.

3 Use o braço para sinalizar sua intenção, como convergir ou seguir em frente.

4 Ciclista na calçada só se estiver empurrando a bicicleta. Quando estiver pedalando, obrigatoriamente deve estar na rua ou ciclovia.

5 Respeite os semáforos: o que vale para os automóveis, vale para as bicicletas.

6 À noite, use roupas claras e luzes piscantes: vermelha na traseira e branca na frente

7 Use equipamentos de segurança, como luvas e capacete

Fonte: Bike Anjo BH

 

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