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Segunda, 06 de agosto de 2012

Comodato Peti

Localizada na Mina de Brucutu, no município de São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), a reserva da Vale é vizinha da Estação Ambiental Peti, da Cemig. Juntas, as duas áreas somam 609,41 hectares e guardam a biodiversidade local

Cíntia Melo - redacao@revistaecologico.com.br



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Fotos: Fernanda Mann

Fotos: Fernanda Mann

Pode-se dizer que a Unidade de Conservação (UC) Comodato Peti, a pouco mais de 100 quilômetros de Belo Horizonte, é privilegiada. A reserva encontra-se bem ao lado da Estação Ambiental Peti, da Cemig, parceira da Vale na proteção da UC. As duas áreas formam um importante corredor ecológico de Mata Atlântica para a fauna local.

No inventário da fauna e flora da estação da Cemig foram identificadas 502 espécies vegetais, 556 espécies de insetos, 10 de peixes, 24 de anfíbios, 26 de répteis, 256 de aves e 39 espécies de mamíferos. Algumas são novas para a ciência, como a libélula Heteragrion petiense e a árvore canela Licaria triplicalyx.

Com vegetação típica de transição da Mata Atlântica e Cerrado, a reserva da Vale abriga pássaros raros. E espécies ameaçadas de extinção, como o pavó (Pyroderus scutatus), que, inclusive, virou símbolo da Estação Ambiental da Cemig. “Hoje existem apenas 22 indivíduos aqui”, relata Leotacílio da Fonseca, que há 28 anos comanda as atividades na estação da Cemig. Outros que também sofrem ameaça de extinção e vivem em Peti são o jacu (Penelope obscura), o catitu (Pecari Tajacu), o lobo-guará e a suçuarana (Puma concolor).

Sérgio Pessôa, supervisor das RPPNs  da mineradora, credita à criação da Gerência de Áreas Protegidas da Vale e o fortalecimento da parceria com a Cemig, a maior proteção da reserva. “Sempre tivemos um ótimo relacionamento de parceria com a Cemig. Mas agora essa relação está mais fortalecida ainda”, observa.

Ele sente-se honrado em trabalhar em prol do verde da Vale, tarefa que considera muito gratificante. “Só cuidamos do que amamos. A empresa confiou em mim quando me passou a responsabilidade de cuidar de suas áreas verdes. Portanto, procuro fazer meu trabalho abraçando-as e protegendo-as como um pai”, frisa.

Ele enfatiza que um dos principais desafios é vencer as invasões e os incêndios, comuns nas UCs da empresa. Para isso, conta com uma equipe que monitora toda a área diariamente, além dos brigadistas da ong Terra Brasilis, que faz parte do Acordo de Cooperação técnico financeiro entre a Vale, Semad e  Sindiextra. Esses brigadistas atuam nas ocorrências de incêdios.

Jacqueline dos Santos, por exemplo, está na coordenação e controle de pessoal e é uma das que arregaça as mangas quando vê um foco de incêndio. Quem pensa que o fato de ela ser mulher a desencoraja de subir morro para apagar o fogo, se engana! Nessa hora, sobram fôlego e vontade.

“Sempre que somos acionados, corremos para área. Se ficar próximo da natureza já é bom, imagine então quando a gente pode socorrê-la! É melhor ainda, não é?”, diz.

PETI CEMIG

A Estação Ambiental Peti, da Cemig, foi criada em 1983. Alunos do Ensino Fundamental, Médio e Superior, de escolas públicas e particulares, que ficam na área de influência da reserva e na Região Metropolitana de Belo Horizonte, podem fazer visitas e desenvolver pesquisas no local.

A Cemig integrou ao programa de educação ambiental, a visita de grupos de terceira idade e alunos especiais e portadores de deficiências visuais e auditivas.

Outro trabalho desenvolvido na estação é o cuidado com os bichos que o Ibama apreende no combate ao tráfico de animais. Entre as espécies estão um casal de araras-canindé, outro de tucanos, uma coruja, alguns papagaios, um carcará e um sofrê, que há 12 anos vive no local.

Depois de devidamente tratados, os animais trazidos pelo Ibama são devolvidos a seus ambientes naturais de origem. Nem todos, no entanto, são passíveis de serem reintroduzidos. “Alguns exemplares chegam aqui bastante machucados e levam muito tempo para se recuperar. Se ficam muito tempo no cativeiro a readaptação na mata é complicada”, explica Leotacílio que, na hora de sensibilizar as pessoas, costuma mostrar as consequências dos maus-tratos a que esses bichos foram submetidos.

“Costumo falar das coisas difíceis que ocorrem no meio ambiente, como a crueldade dos homens, para abrir uma brecha no coração das pessoas. Desse modo, consigo sensibilizá-las”, explica.

A Estação Ambiental de Peti conta com um laboratório que faz às vezes de berçário de muitos filhotes de aves e outros animais. E funciona como um típico pronto-socorro, livrando os animais que chegam por lá de maus-tratos e da crueldade dos homens. Mais: alojamento, refeitório, Centro de Pesquisa e fiscalização motorizada.

Saiba mais

Apresentando fisionomias de floresta estacional semidecidual e pequenas manchas de Cerrado e vegetação rupícola, as matas da RPPN hoje se encontram em estágio secundário.

De acordo com o Plano de Manejo elaborado para a UC, nas áreas mais conservadas, a floresta apresenta de dois a três extratos com espécies emergentes, como o angico-branco (Anadenanthera colubrina), além de um sub-bosque com espécies arbóreas em regeneração, com destaque para o angelim-pedra (Hymenolobium janeirense), a braúna (Melanoxylon braúna) e o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), ambos da família Fabaceae, típicos da Mata Atlântica.

Outras espécies observadas no sub-bosque e indicadoras de uma boa conservação da mata são a negramina Siparuna guianensis, Siparunaceae, Erythroxyllum sp. (Erythroxylaceae), a erva-de-rato Palichourea marccgravii (Rubiaceae), entre outras.

Algumas espécies amostradas como o jacarandá-da-bahia Dalbergia nigra (Papilionoideae) e Melanoxylon brauna (Fabaceae), são consideradas vulneráveis e constam da lista de espécies ameaçadas de extinção em Minas Gerais. Outra espécie, Vernonanthura diffusa (Asteraceae), compõe a lista daquelas presumivelmente ameaçadas no estado.

Quanto à caracterização da avifauna foram constatadas e identificadas 44 espécies de aves. Entre elas, a juruviara (Vireo chivi), o pichito (Basileuterus hypoleucus), a saíra-sete-cores (Tangara seledon), a chorozinha-de-chapéu-preto (Herpsilochmus atricapillus) e o piolhinho (Phyllomyias fasciatus).

Segundo o Plano de Manejo, a reserva é pouco suscetível à ocorrência de queimadas devido à ausência de propriedades rurais em seu entorno, à existência de aceiros no limite norte, à continuidade da área florestada nas demais porções e à existência de corpos hídricos limitantes a leste.

 

 

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