Segunda, 06 de agosto de 2012
Criando um mundo melhor
O que ganham os jornalistas e pessimistas de carteirinha em manter e perpetuar o tom de derrota?
Foto: Cohdra
Antes mesmo de começar a Rio+20, já se observava, como vem sendo de praxe, o tom pessimista, as declarações sem esperança, a torcida pelo negativo não somente dos jornalistas, mas também dos políticos, empresários e outros profissionais que, supostamente, trabalham objetivando a implementação do desenvolvimento sustentável. E me perguntava: mas o que seria preciso acontecer para esse público declarar como “um sucesso” a Rio+20 – em números, a maior conferência da ONU já realizada? O que deveria ser acordado para que, então, a imprensa pudesse publicar como manchete: “Rio+20: O planeta na direção correta da sustentabilidade”?
Vamos analisar os resultados dessa Conferência da ONU.
- 705 compromissos voluntários foram assinados entre governos, organizações não governamentais (ONGs) e os principais grupos da sociedade, incluindo 500 empresas, indústrias e universidades, entre outros.
- 50 acordos foram assinados envolvendo governos; 72 entre o Sistema ONU e ONGs; 226 entre empresas e a indústria; 243 entre universidades e escolas de todo mundo.
- 513 bilhões de dólares serão disponibilizados durante os próximos 10 anos para serem investidos em 13 dos principais projetos da ONU, bem como nas demais parcerias, programas e ações nas áreas de transporte, energia, economia verde, redução de desastres e proteção ambiental, desertificação, mudanças climáticas, entre outros assuntos relacionados ao desenvolvimento sustentável.
- Milhares de eventos foram realizados no período que antecedeu e durante a Rio+20, incluindo mais de 500 eventos oficiais e paralelos no Centro de Convenções Riocentro, onde a Conferência foi realizada.
- 45.381 pessoas participaram do evento, entre elas, 188 delegações de Estados-Membros e três observadores (totalizando 12 mil negociadores), mais de 100 Chefes de Estado e de Governo, 9.856 ONGs e outros grupos da sociedade; 4.075 profissionais da mídia. Cerca de 5.000 pessoas trabalharam no Riocentro diariamente.
Somente esses dados não seriam suficientes para valer uma manchete positiva?
O que ganham os jornalistas e pessimistas de carteirinha em manter e perpetuar o tom de derrota? Quer um exemplo: as reportagens que as revistas Veja e Isto É publicaram às vésperas da Rio+20, e os principais jornais da mídia brasileira. Todos destacaram os problemas que teriam de ser abordados durante a Cúpula da ONU: desertificação, explosão demográfica, poluição dos oceanos, mudanças climáticas. Matérias cheias de dados, ilustradas com fotografias fantásticas. Junto a elas, foi publicado o que vem sendo feito pelos governos, empresas, ONGs e cidadãos como eu e você para combater os problemas? Para mostrar que os desafios não estão sendo ignorados, mas que estratégias de ação já estão sendo implementadas? Infelizmente, não.
E o pior: depois do encerramento, nas matérias de análise do evento, o prazer em escrever que os nossos líderes não se interessam por nosso destino comum; de ressaltar a inoperância de nossos negociadores, com afirmações do tipo “se não andou para trás, também não avançou em nenhuma questão” (Veja, pg. 102, 27/6/2012).
Então, eu pergunto: como vamos criar um mundo melhor para vivermos quando todo o nosso pensamento, palavras, atenção e energia estão voltados para o negativo?
Bater incessantemente na tecla da inoperância da ONU, de nossos líderes políticos, da má vontade daqueles que nos representam diplomaticamente – especialmente quando o cenário é o contrário – não nos levará a lugar algum. Ou melhor, nos guiará para as trevas do sofrimento.
Desejo, logo realizo
Por outro lado, imagine se todos estivéssemos concentrados e sincronizados em pensamentos e atitudes visando ao melhor para cada um de nós, para a nossa comunidade, o nosso país, até alcançarmos um bem global? Pense no efeito multiplicador se nossos meios de comunicação abrissem espaços também para as ações positivas e concretas que estão sendo implementadas para promover o desenvolvimento sustentável?
Problemas existem, sim. Mas se desejarmos, centrarmos nossos pensamentos e visualizarmos as imagens das realidades em que queremos estar inseridos, acredite, o mundo será outro. Aliás, não é uma questão de acreditar, já que isso implicaria num ato de fé. Essa abordagem faz parte do corpo de conhecimento teórico da física quântica e das abordagens filosóficas milenares.
O mundo é assim: somos o que pensamos. Em seu livro “Desejo, logo realizo – A saúde plena depende de nós”, o médico Roberto Zeballos afirma: “O ser humano deste século precisa urgentemente aprender a controlar seus pensamentos da mesma maneira que aprendeu a caminhar em pé. Será esse um marco evolutivo da nossa espécie tão importante quanto o domínio do fogo, a invenção da roda e a criação da escrita. Precisamos nos conscientizar de que, quando enxergamos as metas já alcançadas, o universo conspira para a materialização.”
Esse conhecimento já é de domínio público há séculos. Aqueles que o praticam, se beneficiam com todas as conquistas que colecionam, através do hábito de direcionar suas vidas – e não apenas deixar o mundo rolar.
Podemos, sim, construir uma sociedade sustentável. Aliás, já o estamos fazendo. Precisamos, entretanto, que esse desejo, de viver em um mundo melhor, se torne viral; faça parte de nossos pensamentos, de nossas intenções, não só pessoais, mas também como sociedade. Que esteja estampado nas primeiras páginas dos jornais. Que seja tema das discussões que acontecem no mundo virtual. É preciso desejar primeiro, para que então se torne realidade. Deseje, pense e visualize um mundo melhor. Para todos nós!
(*) Jornalista ambiental e editora do Portal Conexão Verde
www.conexaoverde.com
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