Domingo, 30 de setembro de 2012

Extasiar ou anastasiar?

“Se comparada à maioria dos países europeus, Minas é um país, e precisa saber disso, se valorizar, apostar em si e se unir”Stefan Salej

Hiram Firmino - hiram@souecologico.com



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Arte: Ecológico

Arte: Ecológico

As observações como elas acontecem. Confira como duas personalidades formadoras de opinião - uma do mundo da comunicação, a empresária e líder do grupo Full Jazz, Christina Carvalho Pinto,  e outra, do mundo esotérico, o mentalista, escritor e paranormal Ivan Trilha - veem e anteveem a Minas que está por vir. Foi assim que aconteceu numa noite recente e iluminada, durante um jantar, num restaurante intimista de BH.

A ex-mega publicitária Christina chegou do evento Sustentar´2012, promovido por Jussara Costa e Roberto Fagundes no Minascentro. Radiante, não se conteve: “Gente, estou impressionada com Minas Gerais, com vocês, mineiros. Estou extasiada! Fui fazer uma palestra ali e , com o que ouvi, pude aprender de outros palestrantes vindos de várias partes do país e do exterior, cada um melhor do que o outro, com novas e mais positivas visões de mundo, poucas vezes eu vivenciei isso na minha profissão, tamanha a qualidade e esperança real no futuro. Vocês não estão no gibi. Parabéns!”

E acrescentou: “Também estou ‘anastasiada’!”

- O quê? perguntei-lhe.

- Estou mais apaixonada ainda com o governador que vocês têm! Um homem aberto, de fácil contato, sempre cercado de gente bacana, de artista a empresário e ambientalista. Gente que ele ouve mineiramente, se aconselha e considera em suas decisões. Isso não acontece em qualquer lugar, não! Vão tentar falar com o Kassab, lá em São Paulo...”

É quando o Mestre Trilha, considerado o maior mentalista do planeta depois de Uri Geller, também chega à mesa, passa-nos um olhar penetrante e declara do nada (ou do tudo?): “Vocês não imaginam a nova Minas que vem por aí. A grandeza do seu novo destino político, econômico, cultural, artístico e ecológico calcado em cima de um ponto de força incomum no planeta. Tudo está aqui, sempre esteve a ponto de explodir, vide a obra e a genialidade da música de um Marcus Viana, por exemplo, ainda contida pelas suas montanhas e jeito de ser. Mas Minas  agora vai acontecer, vai cumprir o seu destino, o seu papel, tal como a questão ambiental que vocês reportam pioneiramente e veio para modificar os velhos paradigmas”.

O mentalista, que é filho adotivo de João Goulart e anda pra baixo e pra cima com Eike Batista, de quem é também é consultor, foi embora como chegou: mexeu com todos nós.

Eu deixei o restaurante também meio extasiado, meio ‘anastasiado’ com tudo que se falou ali mais profundamente. No dia seguinte fui a uma palestra da Revista Veja, que explicou porque a Editora Abril resolveu investir em Minas, trazendo a sua versão Veja BH para competir e repetir o sucesso no nosso já embaralhado mundo de revistas. Seu novo editor pareceu repetir o que havíamos ouvido de Christina e Ivan. Disse que durante dois meses ele e sua equipe se mudaram para cá, para conferir in loco se era verdade o que falavam de Minas, da sua mineiridade, cultura, jeitos e hábitos. Se Beagá era mesmo a capital minerária, siderúrgica e destilada dos barzinhos. Uma cidade onde as pessoas ainda se encontram nas ruas, de propósito ou por acaso. Onde, por isso mesmo, não podemos fazer nada errado, que logo será sabido. Onde, por sua beleza e história natural, nasceram a política inconfidente, o pensamento verde e a resistência ambiental. E se havia mercado, leitores e anunciantes para um novo veículo de informação. E se a economia belo-horizontina e mineira era capaz de entusiasmar tamanho investimento.

A resposta foi excitante. O grupo de Veja descobriu, e mostrou isso em números, que BH e Minas são as localidades emblemáticas da federação brasileira que mais crescem no país. Que não existe outra capital que mais investe hoje em mobilidade urbana, construção civil e até shopping centers do que “nóis”. E se contrói, é porque tem/terá clientes, consumo, receita e investimento.

Mostrou um estado singular, onde a arte de governar por choque de gestão e planejamento focado em resultados podem melhorar de fato a qualidade de vida dos cidadãos, engajando-os também nesse desafio possível. E exibiu números, desde o nível da educação pública que subiu até a mortalidade infantil que desceu. Exibiu, estatísticas esperançosas e se revelou, ele mesmo, um servidor público mineiramente orgulhoso do que faz.

Eu voltei para a redação da ECOLÓGICO e ainda me lembrei da última vez, bem recente, em que o ex-presidente da Fiemg, Stefan Salej esteve em BH. E falou com veemência para os mineiros, empresários, polítidos e ambientalistas presentes no auditório do novo e sustentável prédio da “Casa da Indústria de Minas”, como Fernando Coura gosta de exaltar:

“Minas é um país! Eu venho da Eslovênia, um país sem recursos naturais abundantes, destroçado por duas guerras mundiais, onde até hoje temos de lutar e gastar para ver recuperado e novamente produtivo cada metro quadrado de chão. Vocês, não. Vocês têm aqui tudo o que o resto do mundo não tem mais. Têm extensão territorial e densidade populacional privilegiadas, montanhas, vales, rios, florestas, biodiversidade e sol quase o ano inteiro. Isso aqui não é um Estado. Se comparada à maioria dos países europeus, Minas é um país, e precisa saber disso, se valorizar, apostar em si e se unir.”

É dessas falas, desses acontecimentos fortuitos sobre uma Minas, que pode estar quebrada, como muitos sentem até prazer em fazer ecoar pelos corredores, que a ECOLÓGICO fala nesta sua Edição de Primavera, sob o versal “Minas +” (páginas 26, 34 e 74). Fala de uma Minas, que também pode estar inteira no seu planejamento, inteireza essa que não damos conta, desconfiados em excesso que somos, nem valorizamos. De uma Minas e sua capital, enfim, às vésperas das eleições municipais.

Em quem vamos votar para ser o próximo prefeito da ex-Cidade Jardim, a “Paris” do Brasil, a cidade que já foi vergel e cantada assim, em versos, por Olavo Bilac? É o que a ECOLÓGICO também pergunta (pág 44) e tenta ajudar os próprios candidatos Patrus Ananias e Marcio Lacerda a nos responderem.

Boa leitura, boa e sustentável eleição! Até a lua-cheia de outubro - com menos incêndios, mais primavera,  molhada e despenteada de chuva.

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