Domingo, 30 de setembro de 2012

Em quem votaremos?

Veja aqui algumas perguntas pontuais feitas pela equipe de jornalistas da Revista ECOLÓGICO. E o comprometimento respondido e documentado por escrito de cada candidato

redacao@revistaecologico.com.br



font_add font_delete printer
Arte: Sanakan

Arte: Sanakan

Quais são hoje os principais dilemas de Belo Horizonte na área ambiental?

Patrus Ananias: Vivemos uma preocupante e crescente degradação, fruto da especulação imobiliária e da verticalização. Enfrentamos também a diminuição das áreas verdes; a contaminação das águas; uma coleta seletiva de lixo insuficiente, que atinge apenas 10% da cidade; alto índice de poluição do ar, acima do limite de 50 microgramas aconselhado pela Organização Mundial de Saúde; e elevado índice de poluição sonora. Além de tudo isso, continua muito aquém do desejável o nível de educação ambiental.

Marcio Lacerda: A atenção à sustentabilidade faz parte de todas as nossas estratégias de governo. BH enfrenta problemas históricos, como a ocupação desordenada e a saturação de trânsito em algumas vias. São fruto da falta de planejamento, que deveria ter sido feito há 20 anos, mas ninguém fez. Estamos recuperando o tempo perdido. Por isso, vamos tornar BH uma cidade com o conceito máximo de sustentabilidade, com a ampliação das ciclovias, a proteção da Serra do Curral, o plantio de árvores, o combate à ocupação desordenada, entre outras ações.

Com vistas a proteger o verde que restou ao redor da Serra do Curral, diversas entidades ambientalistas da cidade defendem a integração, via corredores ecológicos, dos parques da Baleia, Mangabeiras, Paredão da Serra e outros com a Mata do Jambreiro e o Rola Moça. Existe, inclusive, um projeto para isso na Fundação Municipal de Parques. Qual é sua posição a respeito?
 
Patrus Ananias: Meu compromisso é implantar o Complexo Ambiental da Serra do Curral, em parceria com os demais prefeitos da Região Metropolitana. Em nossa gestão, empreendemos uma vigorosa luta política e jurídica contra a verticalização na Serra do Curral. Implantamos 11 parques, que representam 1,3 milhão de metros quadrados de áreas verdes e de lazer para a população. Isso só foi possível com estabilidade administrativa na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que na atual gestão chegou a ter quatro secretários.


Marcio Lacerda: Nosso Programa de Governo é muito claro sobre este assunto. Nós vamos implantar Corredores Ecológicos a partir das nascentes da Serra do Curral que afluem em direção à malha urbana, ao longo de cursos d’água e de avenidas sanitárias. Com os corredores será possível viabilizar a conservação, recuperação e manejo sustentável da biodiversidade local. Também vamos estabelecer meios que assegurem a proteção dos ambientes naturais da Serra do Curral, de maneira a garantir sua conservação e, sobretudo, estancar a ocupação de suas áreas.

Ambientalistas cobram também a suspensão dos tradicionais emparedamentos e canalizações dos cursos d’água de BH, transformando suas margens em jardins e parques lineares. O que pensa sobre isso?

Patrus Ananias: Em nossa gestão, vamos abraçar as soluções urbanísticas sustentáveis a partir de um diálogo permanente com os ambientalistas e ampliar as ações de recuperação integrada de áreas degradadas - fundo de vale, proteção de encostas, coleta e destinação de esgoto e de resíduos sólidos e reassentamento da população afetada -, tais como aquelas praticadas pelo Programa de Recuperação Ambiental e Saneamento dos Córregos em Leito Natural (Drenurbs) e pelo Vila Viva.

Marcio Lacerda: Esta é uma das prioridades da nossa gestão. Serão mantidos os cursos d’água em leito natural, sem intervenções que causem retificação ou canalização. Nós vamos recuperar as matas ciliares dos cursos d’água em leito natural, ampliando o número de parques lineares em suas margens, devidamente arborizados com espécimes nativos, favorecendo a melhoria do microclima local. Além disso, nossa gestão incentiva o uso do transporte cicloviário, com a implantação de ciclovias por toda a cidade, inclusive, em parques lineares.

Quais são as áreas mais ameaçadas pela especulação imobiliária em BH? E como pretende coibi-la, sob a ótica da sustentabilidade, no período em que for prefeito?

Patrus Ananias: Em nossa gestão, pretendemos cumprir, com rigor, a legislação ambiental e urbanística, que protege áreas ambientais e coíbe a especulação e as irregularidades. Vamos rever concessões e adotar uma fiscalização eficiente. Preocupa-me, em especial, o surto imobiliário na região da Pampulha, com ameaça de verticalização, o que não podemos permitir. Preocupa-me também a explosão imobiliária em áreas localizadas no entorno de Belo Horizonte, como na região da Mata do Isidoro (próximo à Lagoa dos Ingleses), no Eixo Norte (Confins), no antigo Hipódromo Serra Verde e na divisa com Nova Lima.

Marcio Lacerda: O próprio Plano Diretor já estabelece diretrizes claras sobre o assunto. Algumas regiões de BH, como Oeste e Centro-Sul, por exemplo, tiveram um alto crescimento habitacional nos últimos 20 anos. Vamos assegurar o desenvolvimento ordenado e sustentável da cidade. Neste contexto, o Programa BH Mais Verde prevê o plantio de mais 36 mil árvores em diversos locais públicos da cidade até 2014. Já a conclusão do inventário de árvores nos permitirá, ainda, criar um programa de gestão da arborização para Belo Horizonte.

Vinte e oito associações de bairro lutam pela implantação de um parque público na antiga cava da Mineração Lagoa Seca, após 50 anos de exploração mineral no sopé da Serra do Curral, logo após o Acaba Mundo, entre os bairros Sion e Belvedere. O senhor irá implantá-lo?

Patrus Ananias: A implantação desse parque será um dos compromissos de nossa gestão. A pergunta é: por que até hoje não fizeram o parque? O que tem sido feito na atual administração pelo meio ambiente? Recursos para tanto não vão faltar na minha futura gestão. Vamos nomear um secretário de Meio Ambiente com legitimidade junto aos ambientalistas, para desenvolver este e outros projetos estratégicos.

Marcio Lacerda: Mais do que um anseio da população, a implantação de um novo parque ecológico municipal na região está prevista na própria licença de operação concedida à empresa que ali se instalou. É um assunto que já está sob apreciação do Conselho Municipal de Meio Ambiente. O nosso intuito é agilizar o cumprimento da norma que prevê a implantação do parque e assegurar que a área, que tem quase um milhão de metros quadrados, seja aberta à população com toda a estrutura de lazer e de conservação ambiental necessária.

A polêmica área abandonada da ex-mineração Lagoa Seca no Sion: novo prédios ou um parque público para BH? Teste de coragem política para o próximo prefeito / Foto: Gisele Mafra
 
Mesmo recomendado por unanimidade pelo Comam, até hoje a PBH não implantou o projeto original do “Boulevard do Arrudas”, de recuperação ambiental, urbanística e paisagística ao longo de ambas as margens da Av. dos Andradas, da Ponte do Perrela à Penitenciária Estevão Pinto. Se eleito, o senhor irá implantá-lo?


Patrus Ananias: Com certeza. Nosso programa de governo prevê o fomento à interligação de áreas protegidas, para formar corredores de biodiversidade, ampliando parques lineares ao longo das vias públicas. Temos de pensar também nos pedestres e nos ciclistas.

Marcio Lacerda: Nossa gestão é pautada pelo planejamento, seriedade no trato da administração pública, ampla participação da população e compromisso com a busca constante por melhorias na qualidade de vida das pessoas. Esta é outra antiga demanda, anterior ao meu mandato, que iremos tirar do papel. A obra já recebeu aprovação unânime do Conselho Municipal de Meio Ambiente. Todo o projeto de recuperação ambiental, urbanística e paisagística, da área impactada, ao longo da Avenida dos Andradas, será executado pela Prefeitura.

BH já foi referência latino-americana em política e tratamento de resíduos sólidos, mas ostenta hoje um dos menores índices de coleta seletiva perante outras capitais. Quais suas propostas para a área?

Patrus Ananias: Elaborar um Plano Municipal de Gestão dos Resíduos Sólidos, como determina a lei federal - a prefeitura está impedida de receber recursos do Ministério do Meio Ambiente devido à inexistência deste plano. E, em conjunto com a sociedade e as cooperativas de catadores, ampliar a coleta seletiva dos atuais 10% para toda área de cobertura, até 2016, além de aumentar a capacidade de processamento do material recolhido pela coleta seletiva das atuais 15 toneladas/dia para 300 toneladas/dia, em dois anos.

Marcio Lacerda: Avanços importantes foram realizados, mas ainda há muito o que ser feito. Por isso, minha proposta é investir na coleta seletiva, estimulando a reciclagem e a redução de resíduos, com ativa participação dos catadores, dentro da perspectiva da inclusão social produtiva, passando de 30 para 60 bairros atendidos e ampliando o volume de 26 toneladas por dia para 55 toneladas de materiais recicláveis recolhidos por dia. Para tratamento destes resíduos, vamos construir mais três galpões de coleta seletiva e criar parcerias para capacitação de catadores.

 

O projeto, via operação urbana, já tem verba e está aprovado pela atual administração para ser executado. Os ambientalistas e seus autores só discordam do paisagismo proposto pela PBH, só estético e não ambiental.


Nos últimos anos, milhares de árvores foram eliminadas ou drasticamente mutiladas pela poda de proteção da fiação elétrica pública. E, ao contrário da maioria das grandes cidades no mundo, o investimento em fiação subterrânea em BH é quase zero. Qual será sua política para a área, junto à Cemig, lembrando que nossa capital já foi chamada de “Cidade Vergel” do Brasil?


Patrus Ananias: Há uma deficiência evidente nas operações de poda. Este é um problema a ser atacado, independentemente de se trocar a rede aérea. Paralelamente, é preciso estruturar com a Cemig um plano de investimentos capaz de fazer avançar a construção de redes subterrâneas em áreas que sejam consideradas prioritárias. Ouvir os representantes da sociedade civil é fundamental. Vamos também ampliar permanentemente o plantio e os cuidados com a arborização pública.

Marcio Lacerda: Nós vamos criar o Programa de Conservação Energética, no âmbito do município, em parceria com a Cemig, objetivando o consumo de fontes limpas e renováveis de energia.  Até abril de 2014 serão investidos R$ 200 milhões exclusivamente na rede subterrânea de energia da Cemig em Belo Horizonte. Nesta etapa, a ação abrange o hipercentro e a região da Savassi, com centenas de milhares de pessoas beneficiadas. São redes subterrâneas modernas, dotadas de supervisão, controle e automação de câmaras transformadoras.

Como salvar e recuperar a Lagoa da Pampulha? O que pensa deste desafio jamais vencido, embora prometido por todos os prefeitos depois de JK?

Patrus Ananias: Dentre outras propostas, vamos promover a recuperação ambiental da bacia, por meio da despoluição de suas águas, melhoria das condições sanitárias, desassoreamento e revitalização, complementando as intervenções realizadas pelo Programa de Recuperação e Desenvolvimento Ambiental da Bacia da Pampulha e incorporando a Região Metropolitana. Vamos buscar mais recursos para a despoluição, já que o empréstimo pleiteado no Banco Interamericano de Desenvolvimento, da ordem de US$ 75 milhões, é metade do valor necessário para as intervenções de recuperação.

Marcio Lacerda: Para realizar a revitalização do espelho d’água serão investidos R$ 150 milhões, com melhorias, também, em termos de urbanismo e áreas de lazer, com foco na sustentabilidade. Já estão em andamento 37 obras para tratamento de esgoto, o que vai reduzir em 95% a quantidade de matéria orgânica na lagoa. Em seguida, será realizado o desassoreamento, para retirar 750 mil metros cúbicos de sedimentos. Com todas estas ações, assumo uma meta ousada: ter a Lagoa da Pampulha apta para a prática de esportes náuticos até 2014.

 

Compartilhe

Comentários

Nenhum comentario cadastrado

Escreva um novo comentário
Outras matérias desta edição