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Segunda, 24 de junho de 2013

E agora, Drummond?

BH resgata a "Travessia da Serra" que, proibida pela mineração durante a ditadura militar, fez o poeta maior do Brasil romper com a capital dos mineiros, chamando-a de "Triste Horizonte e destroçado amor"

Hiram Firmino - redacao@revistaecologico.com.br



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Primeiros caminhantes - Como os bandeirantes, a redescoberta de um Belo Horizonte - Foto: Fernanda Mann

Primeiros caminhantes - Como os bandeirantes, a redescoberta de um Belo Horizonte - Foto: Fernanda Mann

E agora, nosso caro Carlos Drummond de Andrade que, há quase quatro décadas, ao saber que colegas jornalistas foram barrados e proibidos de caminhar sobre a Serra do Curral, escreveu:

“Não voltarei a Belo Horizonte para ver o que não merece ser visto, o que merece ser esquecido, se revogado não pode ser”.

Colocando-se na pele daqueles que haviam sido impedidos de atravessar a serra, hoje tombada e eleita democraticamente o “cartão de visita” mais natural e deslumbrante de BH, seu eu lírico também foi proibido de seguir a travessia que os moradores usavam antes da chegada da mineração.

“Em vão tento a escalada. Cassetetes e revolvéres me barram a subida que era alegria dominical de minha gente. Proibido escalar. Esta serra tem dono. Não mais a natureza a governa. Desiste ou leva bala. Encurralados todos, a Serra do Curral, os moradores lá embaixo. ”

Pois, hoje, o poeta pode voltar em espírito. Pode subir, atravessar e vislumbrar todos os 4,2 quilômetros que recompõem o agora liberto, como novo e mais emocionante, atrativo turístico para quem nos visita no alto do Parque Municipal Serra do Curral, na extensão do Mangabeiras: a trilha ecológica “Travessia da Serra”. Com altitudes variando de 1.200 a 1.380 metros, a caminhada exige do visitante esforço físico e muito cuidado. Mas compensa pelo deslumbramento, diurno ou noturno (em noites de lua cheia a travessia também voltou a ser permitida),  da cidade aos seus pés. Traz esperança, pela força de recuperação da natureza, quando respeitada que foi em boa parte do seu retorno.

A travessia é resultado da aliança política e ambiental entre Belo Horizonte e Nova Lima, que já se autodenomina o “pulmão verde” da capital mineira.  É também uma aliada da mineração hoje responsável e sustentável da Vale, que sucedeu a antiga, militar e também modificada MBR (Minerações Brasileiras Reunidas), em tempos idos.

Acredite, Carlos! A Serra do Curral não se tornou um retrato devastado, minerado e dolorido na parede. Pelo contrário, já há mais consciência política, atitude verde e reais esperanças. Tal como Dom João VI vislumbrou e fez surgir o hoje Parque Nacional da Tijuca, a maior reserva de natureza preservada dentro de uma área urbana no país, democraticamente aberto à visitação pública, a nossa travessia maior aqui está apenas começando. E como alegra!

É o que a Revista ECOLÓGICO lhe reporta, nesta edição. Acompanhe nos links abaixo!

E agora, Drummond?

Por que Drummond chamou BH de triste horizonte?

BH resgata a Travessia da Serra

A lembrança, também lunar, de Carlos Drummond

 

 

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