Segunda, 13 de outubro de 2014

Em que planeta eles vivem?

Dilma, Aécio e Marina: a natureza ainda aguarda a atenção que merece na política brasileira

Maria Dalce Ricas (*) redacao@revistaecologico.com.br



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Dilma, Aécio e Marina: a natureza ainda aguarda a atenção que merece na política brasileira - Crédito: Reprodução

Dilma, Aécio e Marina: a natureza ainda aguarda a atenção que merece na política brasileira - Crédito: Reprodução

Guardadas as devidas proporções, há alguma analogia entre PT e PSDB: um governa o país e o outro, Minas. E nunca a área ambiental perdeu tanto espaço. Voltamos à era do desenvolvimento a qualquer custo e mergulhamos em um triste “apagão ambiental”.

Ambos os partidos frustraram expectativas de que a proteção do meio ambiente e o uso dos recursos naturais seriam tratados com seriedade: sequestraram os recursos da área ambiental, transferindo-os para projetos ambientalmente degradadores; praticamente não criaram novas unidades de conservação; paralisaram a regularização de terras nas mesmas; curvaram a cabeça aos ruralistas na aprovação das leis florestais; e esvaziaram o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e o Conselho de Política Ambiental (Copam).

Economia de energia não fez parte de seus planos e discursos. Somente produção a qualquer custo. E ainda dizem que hidrelétricas são sustentáveis e geram “energia limpa”... Estimularam o desmatamento no país por meio da construção ou asfaltamento de rodovias em áreas consideradas prioritárias para proteção da biodiversidade, sem tomar medidas prévias para protegê-las. Em âmbito nacional, a Amazônia. Em Minas, a região Norte.

Ambos os governos fazem discursos vazios e demagógicos quanto ao agravamento da indisponibilidade de água em diversas regiões, acenando com barramentos, obras de infraestrutura. Nem uma palavra sobre proteção da água.

Aécio Neves se declarou como o “candidato do agronegócio” e o programa de governo que apresentou na área ambiental foi vago e nada prometia. Já Dilma Rousseff disse que a aprovação do Código Florestal e a transposição do Rio São Francisco foram “ganhos ambientais”. 

Pedi emprestado um parágrafo de artigo escrito pelo biólogo e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fernando Fernandez em 2010 (ano que também houve eleições), e que se aplica integralmente aos candidatos de 2014: “Em que planeta será que eles vivem? No planeta deles não há mudanças climáticas globais acontecendo. Não há branqueamento dos corais, não há derretimento das geleiras, não há extremos climáticos cada vez mais frequentes e malucos. Não pode ser o nosso planeta, claro. Ninguém parece perceber o maior e mais urgente problema enfrentado pela humanidade como um todo, não só hoje, mas em toda a história. Nunca antes vivemos um desafio assim – mas os políticos nem falam disso. É assustador que as pessoas que hoje disputam a presidência do nosso país não tenham nada a dizer sobre mudanças climáticas globais”.

Por que não falei da Marina Silva? Porque ela não é governo e traz consigo um passado de luta em defesa da Amazônia. Mas fiquei preocupada ao ouvi-la dizer que graças à sua ação como ministra do Governo Lula, a licença dada à transposição do Rio São Francisco garantiu viabilidade ambiental ao projeto. 

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