Terça, 14 de outubro de 2014

O lado espiritual da Big Apple

Explorar o Central Park me deixando guiar pela posição do Sol e os quatro pontos cardinais, tal como os indígenas fazem. Apreciar o pôr do sol à beira do Rio Hudson

Andréa Zenóbio Gunneng (*) De Nova York (EUA) - redacao@revistaecologico.com.br



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A Fênix de Xu Bing: renascimento em forma de arte - Crédito/Imagem: Andréa Zenóbio Gunneng

A Fênix de Xu Bing: renascimento em forma de arte - Crédito/Imagem: Andréa Zenóbio Gunneng

Minha intenção era “experivivenciar” Nova York de uma maneira diferente. Não como uma turista em férias, porque, na realidade, essa não era uma viagem de lazer. Muito menos como uma consumidora seduzida pelos preços baixos e pela boa qualidade – Nova York, a Big Apple,  paraíso das compras. Montei meu programa visando explorar o lado espiritual da cidade, participando de atividades que me direcionassem a apreciar o momento presente e desenvolver uma atenção plena. Em outras palavras, praticar mindfulness. Então escolhi:

Praticar “meditação andando” no único labirinto coberto da cidade, de 11 circuitos, construído em granito marrom e preto, no porão da Igreja Marble Collegiate. Esse tipo de labirinto não é como o clássico, composto de muitas trilhas e becos sem saída. Pelo contrário. Aqui, o caminho pelo qual se entra é o mesmo que se segue em direção à saída. Em um labirinto você se perde; nesse você se encontra. O objetivo da “meditação andando” é limpar a mente e se tornar consciente da própria respiração, para então poder libertar-se do estresse do dia a dia e exercitar a paz de espírito.

Participar de uma “excursão vertical” pela Catedral de São João, o Divino, explorando os vitrais coloridos, até alcançar o telhado e ter uma vista panorâmica de Nova York. Essa diocese, em construção desde o século XIX, foi erguida para celebrar os principais grupos de imigrantes que estavam construindo a cidade. Qual foi a minha surpresa ao encontrar, no centro da catedral, duas esculturas gigantescas da ave fênix, de 30 metros de extensão e pesando seis toneladas cada uma... Durante dois anos, o artista plástico chinês Xu Bing recolheu lixo e detritos de construção civil em Pequim e os transformou, dando vida nova a eles, assim como a fênix, que em muitas culturas simboliza o renascimento e a ressurreição.

Realmente, arte contemporânea tem um visual diferente dentro de uma catedral. Explorando essa particularidade, a diocese utiliza Estratégias de Pensamento Visual (EPV), um método pioneiro de ensinar crianças e adultos a observar a arte com um novo olhar. Afinal, a forma como vemos o que vemos afeta o pensar, o sentir e o imaginar. O objetivo é flexionar os músculos da imaginação, contribuindo para a construção da comunidade e inspirando mudanças.

Visitar a exposição “Corpos em Equilíbrio: A Arte da Medicina Tibetana”, no Museu Rubin. Segundo o conhecimento médico do Tibet (Sowa Rigpa), o corpo humano é composto de três forças (vento, bile e fleuma) responsáveis pelo bem-estar físico e mental. Manter o equilíbrio entre elas – denominadas “nyepas” em tibetano – assegura uma boa saúde.

 

Catedral - Imagem: William Porto/Wikimedia

Descobrir como artistas contemporâneos de diferentes partes do mundo retratam o Jardim do Éden e seus personagens – Adão, Eva e a cobra, mais o meio ambiente que serve de cenário para a ação do pecado original. Exposição fantástica do Museu de Arte Bíblica.

Explorar o Central Park me deixando guiar pela posição do Sol e os quatro pontos cardinais, tal como os indígenas fazem. Apreciar o pôr do sol à beira do Rio Hudson, depois de ter visitado o emocionante 9/11 Memorial. Comer apenas alimentos saudáveis.

Estar em Nova York sem me perder em meio à intensidade frenética que compõe a cidade. Estar presente no momento. Praticar mindfulness!

 

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