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Terça, 03 de fevereiro de 2015

#Somostodosecológicos

Campanha “Clubes Unidos pelo Planeta”, de democratização da informação ambiental, une as torcidas do América, Atlético e Cruzeiro em uma nova cultura de paz e amor à natureza

Hiram Firmino - redacao@revistaecologico.com



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A crise hídrica está aí para comprovar. Não existe causa maior, apartidária, urgente e necessária para a humanidade abraçar, até mesmo das paixões futebolísticas, que defender e proteger a natureza e o meio ambiente que mantêm a vida no planeta. Se ainda não estamos ganhando o jogo contra o “Degradação Mundial Futebol Clube”, é porque ainda falta informação e educação ambiental às respectivas torcidas sobre o motivo desse placar negativo continuar se ampliando.

Foi pensando nisso que, durante todo o ano passado, sem alarde para não ferir a rivalidade de suas torcidas, a Revista Ecológico procurou as diretorias dos três principais clubes mineiros para propor uma parceria. A proposta era colocar a ecologia em campo.

Muito simples, foi aceita por todos os dirigentes. Os clubes cederam suas marcas históricas e amadas pelos torcedores para integrar a mensagem associada à proposta da nossa publicação. Com isso, foram confeccionados adesivos, que serão distribuídos gratuitamente em dias de jogos: “Sou América. Sou Ecológico”, “Sou Atlético. Sou Ecológico” e “Sou Cruzeiro. Sou Ecológico”.

Já a nossa contrapartida, pra não dizer gratidão pela confiança, é recíproca e objetiva. Ao acessar o souecologico.com, o torcedor terá acesso para ler todo o conteúdo da Revista Ecológico, a mais respeitada e desejada publicação sobre Sustentabilidade, Responsabilidade Social e Educação Ambiental hoje na grande mídia impressa e digital brasileira. Feita em Minas, sua circulação também é ecológica: em todas as luas cheias, nas bancas ou via assinatura.

 

Lançamento Verde

O projeto “Clubes Unidos pelo Planeta” teve início experimental após o final do Brasileirão e da Copa Brasil 2014. O lançamento foi no jogo América e Boa, na Arena Independência, com os jogadores do Coelho entrando festivamente em campo com a faixa “Sou América. Sou Ecológico” e a exibição de mensagens no telão.   A segunda vez em que a campanha entrou no gramado foi com o Cruzeiro, em setembro passado,  no seu jogo contra o Atlético. Foi uma divulgação discreta e rápida, uma vez que havia o temor de, mesmo pequena, a torcida do Galo não gostar de ver somente o Raposão ecologicamente paramentado e em festa no campo. 

Só falta a nova direção do Atlético aderir também à campanha. Procurado pela Ecológico, às vésperas de sua substituição, o ex-presidente do Galo, Alexandre Kalil, não apenas mandou fazer e assinou um contrato de parceria, como declarou à sua maneira, curto e grosso: “Se é bom pra natureza, é bom pro Atlético. Estamos juntos!” A conferir, agora, com o novo presidente do Galo, Daniel Nepomuceno.

 

 

O recado verde e de esperança do América...
No Independência e no Mineirão, verdes e celestes, os jogadores de América e Cruzeiro deram o pontapé inicial para a conscientização e educação ambiental de suas torcidas

 

A Revista Ecológico entrou e continua em campo para convocar os clubes mineiros a darem um exemplo para o país. E formarem uma seleção de jogadores e ídolos, mais amados ainda por suas torcidas, na defesa da natureza. O objetivo é conseguir uma goleada nos atentados contra o meio ambiente, conscientizando cada torcedor de que é preciso unir força e jogar limpo diante da realidade de um adversário internacional que se anuncia invencível: as mudanças climáticas, vide o calor infernal cada dia maior nos nossos estádios cimentados, sem árvores nem sombras.

O primeiro a vestir a camisa pela causa ecológica foi o jogador Obina, de 31 anos, ex-atacante do América Futebol Clube, time que adotou o verde como cor oficial. “Quem nasce num lugar como a Ilha de Itaparica (BA), na Bahia, como é o meu caso, já vem ao mundo com essa consciência ecológica, pois na casa de cada nativo há muitas espécies de árvores que precisam de cuidado permanente. Isso faz  com que cada morador estimule outras pessoas a proteger esse paraíso natural”, orgulha-se. 

Para Obina, que recentemente se desligou do time e mantém sua posição de defensor da causa ambiental, a campanha da Revista Ecológico é um bom exemplo para  crianças e adolescentes, e até mesmo para quem não tem ainda essa consciência ambiental. “É preciso olhar o nosso ambiente e o mundo em que vivemos de um outro jeito. Como algo maior, que nos beneficia e nos abriga, e não para destruir. Nas cidades, há vários meios de poluição, como os carros, os prédios, o asfalto. E a gente ainda vai poluir mais? Todos  precisam da natureza, que é muito importante para a vida no planeta, e essa iniciativa corrobora isso.”

E completou: “Quando a gente precisa de uma sombra vai para debaixo de uma árvore, coloca uma rede e dá uma descansada. É muito agradável e relaxante, pois onde tem árvore tem sombra também. Então, para quê cortar, poluir, destruir?”

Pai de dois filhos, uma menina de sete anos e um garoto de quase dois, o atacante sabe o quanto a natureza traz benefícios para as futuras gerações. “Acredito que todos nós, jogadores, e os torcedores que são pais querem um ambiente limpo e saudável para os filhos. Para isso, devemos dar o exemplo para eles desde cedo. São coisas simples, desde economizar água até descartar o lixo no lugar certo, para que não venham a poluir os rios, os mares, as nossas cidades.”

E, depois de ressaltar a importância de a torcida abraçar a causa ecológica, ele vestiu a camisa da campanha e, categórico, repetiu: “Eu visto essa camisa. Sou Ecológico”. 

 

Como começou

Tarde ensolarada de sábado, Arena do Independência, jogo do América contra o Boa Esporte. Os jogadores entraram em campo segurando a faixa “Clubes Unidos pelo Planeta”. A torcida, vibrante, aplaude a iniciativa. E mostra que está disposta a participar também.

Em uma das fileiras da arquibancada está Alexandre Arantes, de 50 anos, gerente do “Onda Verde”, programa do sócio torcedor do time. O apoio à iniciativa da Revista Ecológico foi imediata: “Vejo com bons olhos, pois é uma causa nobre a que o América está ligado,  já que a nossa cor é verde”.

Professor universitário, Arantes diz que faz parte de uma família com consciência ecológica. “Minha mulher também é professora universitária e meu irmão engenheiro sanitário na Universidade de São Carlos, em São Paulo. Agimos sempre em defesa do planeta, até quando estamos viajando. O meu filho, de 17 anos, está sempre em contato com a natureza. Ajudamos a limpar o meio ambiente, seja recolhendo o lixo, lavando e separando-o para a coleta seletiva seja catando garrafas e copos jogados na areia ou nas pedras.” Além disso, ele garante que em casa só usa as lâmpadas ecologicamente corretas e orienta todos sobre o desperdício de água.

Como se fosse o gol do América que não veio no jogo, Arantes comemorou quando a faixa da campanha foi levada até o gramado verde. Tirou fotos com o celular para mostrar à família. “Participar da campanha é um gol de placa”, afirmou.

O pequeno Jhansey, de nove anos, aluno do Colégio Tiradentes, foi uma das crianças que entraram junto com os jogadores que carregaram a faixa. Seus olhos brilhavam de alegria. Mesmo com pouca idade, mostrou que as crianças estão bem conscientes de seu papel como cidadão. E mandou seu recado: “Adoro as árvores e os animais, mas muita gente ainda nem liga para a natureza. O futuro presidente deveria baixar mais decretos em defesa do meio ambiente!”

Sob um calor de 30º graus e o sol que brilhava no céu da capital mineira, estava o mascote do América, com sua roupa de pelúcia. Depois de tirar a “cabeça” do coelho, símbolo do time, ele revelou seu nome de anjo: Rafael, de 24 anos. E foi taxativo: “Sem a preservação da vida no planeta, não haverá jogadores nem times de futebol.” Da sua parte, o mascote do América diz que faz a coleta seletiva do lixo em casa e “indiretamente contribui para a salvação dos rios e dos mares”.

Na arquibancada, os irmãos Thales e Thalita Maciel, de 36 e 25 anos, respectivamente, também aprovaram a postura do América de golear a devastação da natureza: “É válida e, muito interessante essa iniciativa, pois induz os torcedores a preservarem o planeta”. Em termos de consciência ambiental, os torcedores e jogadores americanos mostraram que o placar não poderia ser outro: nesse campo, a natureza sempre estará em primeiro lugar. E é impossível vendê-la.

 

 

...e o azul da cor do mar do Cruzeiro
Ex-campeões e ídolos do time celeste afirmam terem se tornado ecológicos
porque “o Brasil está em falta de bons exemplos”

 

Nesta batalha não há adversários. Nem violência nem faltas, muito menos cartão vermelho.  Todos os times unidos pelo planeta, por um mundo sustentável, em que a natureza dá de goleada. No Centro de Treinamento do Cruzeiro Esporte Clube, na Região da Pampulha, antes de se despedirem da torcida celeste, os dois meias e ex-ídolos Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro deixaram seus depoimentos pela causa que hoje mais preocupa a humanidade: a preservação da natureza.

Se pudesse, Goulart, de 23 anos, faria outra tatuagem no braço esquerdo: “Salvem o planeta!”, entre as muitas que ele já tem, inclusive, com o nome de Diane, sua mulher, com quem está casado há cinco anos. Olha aí a ecologia do amor: é para ela que o jogador dedica todos os gols marcados, além de beijar a aliança e fazer o tradicional coração com as mãos para homenageá-la.

Nascido em São José dos Campos (SP), o artilheiro do campeonato passado, também reverencia a natureza: “Eu visto essa camisa. Sou Ecológico”, repetiu ele, como se fosse um mantra. Confessou que exemplos como esse estão em falta atualmente – e se engaja, com naturalidade, na campanha da Revista Ecológico. 

Como ídolo de um time campeão, Ricardo Goulart sabe que um jogador de futebol pode “mover montanhas” e despertar a consciência dos torcedores. Ele confessa não ter um momento especial junto à natureza há algum tempo, porque todas as vezes que tem uma folga, além dos treinamentos e da concentração, corre para junto de sua família em São Paulo. Mas sonha em conhecer a Amazônia e estar perto de uma natureza exuberante. Sem filhos, Goulart disse querer um “mundo correto, ético e sustentável para as futuras gerações”. Reconhece que um ídolo não pode ficar apenas nas palavras, “tem que colocar a sua influência junto à torcida em prática”. E completou, antes de se despedir no Mineirão: “Isso é educação ambiental”.

 

Ecologizar a camisa 

Já seu ex-colega Éverton Ribeiro, de 25 anos, casado há um ano com Marília Nery, ainda não tem filhos, mas acha que um jogador de futebol pode fazer muito pela natureza. “Devemos usar a nossa imagem e conceito em defesa do planeta, pois o futebol envolve muita paixão. Podemos ser exemplo de como tratar melhor o meio ambiente. Os torcedores confiam na gente.”

Paulista, ele reconhece o quanto estar perto da natureza faz bem. “Em Minas, há muitos lugares bonitos, onde você pode relaxar, se recuperar e ficar em paz.” Ele cita as grutas, o Topo do Mundo, mas adora mesmo é andar de bicicleta na Serra do Cipó. “Percorro seis quilômetros de bike, um caminho verde, de flores, árvores e pássaros. É incrível.”

Depois de literalmente vestir a camisa e também recitar o mantra da campanha, ele repetiu com fé: “Sou ecológico porque o Brasil está em falta de bons exemplos. E o poder de um ídolo é dar o exemplo. Espero que as torcidas de todos os times se unam na defesa do planeta” – ele convocou, antes de sua despedida das montanhas de Minas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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