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Segunda, 04 de janeiro de 2016

"Fomos todos enganados?"

"O momento é propício para o debate sobre o aumento da tributação do setor"

Evandro Xavier (*)



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Crédito: Rogério Alves/TV Senado

Crédito: Rogério Alves/TV Senado

A indesculpável tragédia em Bento Rodrigues tem o seu algoz e precisa servir de exemplo para toda a sociedade.

Não restam dúvidas de que a atividade mineradora é necessária e importante. Mas levar a produção a níveis predatórios é algo que liga o alerta vermelho de governos e de toda a sociedade. A exploração minerária tratada com irresponsabilidade resultou em um mundo de lama e resíduos. Com inquestionável potencial em mineração – ao todo temos 735 barragens -, precisamos ter pulso firme na fiscalização dessas empresas e não nos iludirmos pelas suas propagandas. Não podemos isentá-las da necessidade de aperfeiçoarem seus mecanismos de controle e monitoramento, e de partilharem seus lucros com a sociedade.

A Samarco, sempre mencionada e enaltecida como um exemplo no quesito sustentabilidade, impôs a Minas Gerais a sua maior tragédia ambiental. Os elogios do passado precisam ser esquecidos ou esclarecidos?

O momento é propício para o debate sobre o aumento da tributação no setor. Com o faturamento vultoso, é preciso repensar o montante de impostos pagos e os benefícios ambientais e sociais. Somente em 2014, a Samarco obteve lucro líquido de R$ 2,8 bilhões, direcionado para seus acionistas e controladores estrangeiros e nacionais. Diante desse contexto, fica mais do que patente a necessidade de se tributar em maior nível essas empresas, obrigando-as, de fato, a dividirem o seu lucro com a sociedade.

Além da perda de vidas, da destruição da nossa biodiversidade e da nossa história, o luto se complementa ao sabermos que a eventual reversão do dano causado não se dará em décadas. O prazo é tão elástico que muitos dos leitores desta prestigiada Revista não deverão estar vivos para testemunhar a recuperação do passivo ambiental, cuja tarefa será obra da própria natureza. Nessa tragédia, fomos todos tolos e enganados? E ainda querem dividir a responsabilidade conosco? Não podemos, não aceitamos, não vamos escamotear a verdade. Somos vítimas, mas há um algoz alimentado pela usura que deve, por força da justiça, ser identificado e penalizado exemplarmente.

(*) Economista, ex-presidente do IEF e da Fundação Zoo-Botânica


Acompanhe a reportagem completa:

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"Fomos todos enganados?"

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Uma cidade fantasma

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