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Segunda, 04 de janeiro de 2016

“Assim se rompe uma barragem”

“Em vez do meio ambiente, os custos de licenciamentos são usados para financiar o aparelho do Estado.”

Willer Pós (*)



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Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

O evento de rompimento de barragem é fato grave. São vários os exemplos trágicos e Minas Gerais tem colecionado vários deles nos últimos anos. Entretanto, como bem dito pelo promotor de Justiça Carlos Eduardo Ferreira Pinto, barragem não se rompe do nada. Sempre existirá uma ou mais razões para tal tragédia.

E uma análise de riscos detalhada, como merecem todas as barragens, aponta claramente onde estão os problemas. O evento de Mariana se enquadra claramente nessa tipologia. Uma análise preliminar da tragédia demonstra que não foi considerada a possibilidade de rompimento. Se tivesse sido,  a comunidade não estaria residindo na área de impacto direto.

A dificuldade de se enquadrar a relocação de comunidades numa análise de riscos se dá não só pelas implicações econômicas e sociais, como também pela tendência ao exagero de cenário, sempre reclamada por quem vai pagar pela mitigação.

E justamente a Samarco, a empresa de melhor performance ambiental e governança do Estado, é derrubada pelos fatos. E contra fatos não há argumentos.

Aprendemos muito nos últimos anos sobre esses riscos e as lições continuarão se não formos extremamente criteriosos ao buscar locar futuras barragens.

A busca de novos métodos de processamento e tratamento para minérios, somada à integração com novas tecnologias, poderá ser uma vertente a ser vislumbrada em futuros projetos.

Mas de uma coisa temos que estar certos. Minerar é preciso e Minas tem que minerar. E os custos operacionais têm que refletir todas as circunstâncias e riscos da produção. A vistoria e uma checklist periódica feitas pelas autoridades responsáveis seriam de extrema importância.

E não digam que a área pública não tem recursos para tal. Os custos de licenciamentos, que não são baratos, são para ser usados na análise técnica e vistoria dos empreendimentos, dando segurança e garantia à população. Mas hoje são usados não para o meio ambiente, para estancar a degradação da natureza; mas para financiar o aparelho de Estado. Assim se rompe uma barragem.

(*) Ex-presidente do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam)

 


Acompanhe a reportagem completa:

Um dia para não esquecer

"Fomos todos enganados?"

"Desprezo à democracia"

"É preciso entender"

"Obrigado, Dom Luciano"

"Assim se rompe uma barragem"

"Minas, ainda a ver navios"

"Ecologizemos a economia"

"Barragens de rejeito, não!"

O Sisema represado

"Há solução para o Rio Doce"

Quando o rejeito vira produto e solução

Carta em dor maior

Uma cidade fantasma

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