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Conferência da ONU reforça papel do setor privado na proteção à biodiversidade


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Inédito, Fórum de Negócios e eventos paralelos realizados na COP 12, abordam a importância de se aproximar empresas da conservação da natureza  - Crédito: Reprodução

Inédito, Fórum de Negócios e eventos paralelos realizados na COP 12, abordam a importância de se aproximar empresas da conservação da natureza - Crédito: Reprodução

17/10/2014

Pela primeira vez, a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da ONU promoveu o Fórum de Negócios e Biodiversidade, como evento paralelo às negociações oficiais da 12ª Conferência das Partes (COP 12) dessa convenção, que acontecem na Coreia do Sul. O fórum, que aconteceu nesta semana, recebeu expressiva adesão de representantes de negócios e organizações não governamentais de diversas partes do mundo.

 O secretário executivo da CDB, Bráulio de Souza Dias, na abertura do evento, destacou a importância de o setor privado caminhar junto com os governos e a própria CDB para contribuir na implementação do Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020 e as Metas de Aichi para Biodiversidade, que devem ser alcançados até ao final desta década. “Precisamos encontrar maneiras de fazer essa implementação da melhor forma possível”, disse Dias, que ainda reforçou que o engajamento do setor empresarial é uma das prioridades para o secretariado.

 Para Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que participou de discussões do Fórum, já foi possível perceber avanços no setor privado. Ela presenciou empresas e governos convergindo sobre a necessidade de evoluir a abordagem de ambos em relação à biodiversidade, sua conservação e uso sustentável. “Hoje, muitos já têm a percepção de que todas as atividades produtivas – em maior ou menor nível – impactam na biodiversidade; e que, por outro lado, a perda da biodiversidade impacta nas empresas”, diz Malu. Para ela, esse avanço representa o primeiro passo para que sejam colocadas em prática medidas efetivas de reversão do quadro atual no qual o benefício no curto prazo fica com quem impacta e os prejuízos são compartilhados por toda a sociedade.

 No entanto, ela alerta que ainda há empresas mais céticas, que não têm a sustentabilidade como parte de sua visão de negócio e que não percebem que os impactos que causam à biodiversidade trazem consequências para a viabilidade do próprio negócio. “É comum empresas assumirem a responsabilidade apenas para os impactos identificados ‘dentro dos muros’, mas a verdade é que os danos à biodiversidade não têm fronteiras e o problema é que esses custos não são internalizados nos negócios”, comenta. Até a próxima COP, ela espera ver esta pauta priorizada em estudos da academia, discussões e iniciativas de associações empresariais, bem como em propostas dos governos.

 Certificação para quem conserva

Mas, por onde começar? Essa é a dúvida que surge quando as organizações decidem colocar em práticas ações que promovam a sustentabilidade dos negócios e contribuam para a conservação da biodiversidade. “O Instituto Life oferece suporte para que essas empresas possam fazer isso de uma forma pragmática e mensurável”, afirma Maria Alice Alexandre, diretora executiva do Instituto Life, que organizou em 14/10 um evento paralelo na COP 12 da CDB para apresentação de uma inovadora iniciativa brasileira criada por esse instituto: a Certificação Life.

 Alexandre explica que a Certificação LIFE tem como objetivo qualificar e reconhecer organizações públicas e privadas que desenvolvem ações favoráveis à conservação da biodiversidade, colaborando, assim, com a manutenção de áreas naturais e dos processos ecológicos e com a oferta perene dos serviços e das atividades ambientais, como ciclo da água, regulação climática, fornecimento de diversas matérias-primas, entre outros.

 “Esse é um instrumento que auxilia as empresas a avaliar seus impactos à biodiversidade, pois as aproxima de um ciclo produtivo mais responsável e que seja viável no longo prazo”, afirma Nunes, que também participou do evento de apresentação da certificação. A instituição da qual ela é diretora executiva, a Fundação Grupo Boticário, é um dos membros fundadores do Instituto LIFE, junto com a Fundación AVINA, Gráfica e Editora Posigraf e Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

 Malu Nunes lembra ainda que essa certificação auxilia no cumprimento da quarta Meta de Aichi, na qual até 2020  governo, setor privado e grupos de interesse deverão tomar medidas para produção e consumo sustentáveis, reduzindo o impacto da utilização dos recursos naturais. “Acredito que esse é mais um passo para que as empresas possam agir em prol da biodiversidade, e apresentá-la nessa grande plataforma é realmente um marco”, conclui.

 Outro exemplo brasileiro

Com mediação de Reg Melanson, diretor executivo da Iniciativa Canadense de Negócios e Biodiversidade, a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes, participou em 13/10 do painel ‘How to Develop a Biodiversity - Sustainability Action Plan’ do Fórum de Negócios e Biodiversidade. Os outros painelistas foram Violaine Berger, diretora de ecossistemas e agricultura do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, e Paul Holthus, CEO e presidente da World Ocean Council.

 A discussão central do painel foi sobre a construção de um plano de sustentabilidade que aproxime os negócios da conservação da biodiversidade. Nunes apresentou como a Fundação Grupo Boticário tem buscado desenvolver soluções inovadoras com resultados efetivos para a conservação da biodiversidade no Brasil. “Ficamos muito satisfeitos com a receptividade dos participantes, pois apresentamos um caso concreto de como é possível construir um plano que não apenas atenda ao princípio do uso sustentável dos recursos naturais, como também atenda à conservação da biodiversidade”, destaca Malu.

 

 


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