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Transmissão de zika por pernilongo pode explicar maior incidência em algumas regiões


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Pesquisadores da Fiocruz descobriram que o vírus consegue alcançar a glândula salivar do mosquito, o que indicaria que o pernilongo pode ser um dos transmissores do Zika. Foto: Sumaia Villela/Agência Brasil

Pesquisadores da Fiocruz descobriram que o vírus consegue alcançar a glândula salivar do mosquito, o que indicaria que o pernilongo pode ser um dos transmissores do Zika. Foto: Sumaia Villela/Agência Brasil

Mosquito se reproduz em água extremamente poluída, por isso a falta de saneamento básico também pode ter ligação

 

11/08/2017

A descoberta feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, de que o pernilongo é capaz de transmitir o Zika vírus, pode ajudar a compreender porque a epidemia foi mais grave em algumas regiões do país ou porque há mais casos de microcefalia em bebês de mulheres de baixa renda.

Isso ocorre porque o Culex, nome científico do gênero do mosquito, se reproduz em água extremamente poluída, comum onde não há saneamento básico. Mas, para isso, os pesquisadores afirmam que ainda é preciso estabelecer qual a importância do inseto como vetor da doença.

No artigo publicado nesta quarta-feira (9) em uma revista científica do grupo Nature, os pesquisadores descrevem a descoberta de pernilongos infectados na natureza e a comprovação de que o Zika se reproduz dentro dos mosquitos, chegando à glândula salivar dos insetos. O vírus também está presente na saliva extraída dos espécimes, tanto os infectados em laboratório quanto os contaminados em ambiente natural.

O próximo passo será estudar características biológicas do Culex. Questões ambientais como a temperatura e umidade do local também são levadas em conta, segundo a pesquisadora da Fiocruz Constância Ayres.

“Precisamos entender qual o papel dele na transmissão, se ele é um vetor secundário, primário ou se não tem importância alguma. Isso vai depender de outros aspectos biológicos que são característicos dessa espécie, como a longevidade, a abundância em campo etc. Precisamos investigar isso no contexto urbano onde está a epidemia e comparar essas características com a espécie que é hoje considerada o principal vetor, que é o Aedes aegypti”, disse a pesquisadora.

Caso o pernilongo seja confirmado como vetor importante, esse fato poderá explicar a ocorrência de mais casos na região Nordeste, por exemplo, ou a relação de áreas sem esgotamento sanitário com a quantidade de infecções. Foi no Nordeste, frisa Constância Ayres, que surgiram os primeiros casos de microcefalia causados pelo zika. Então, o fato de a população de outras regiões já estar ciente do perigo, e atuar na prevenção, influencia essa disparidade, mas a falta de saneamento básico pode ter ligação. “O Culex representa nossa falta de estrutura de saneamento básico. Isso é evidente em toda a cidade e favorece a distribuição do mosquito”.

De população mais numerosa que o Aedes aegypti, o Culex poderia ser mais difícil de se controlar à primeira vista. Mas, para a pesquisadora, ocorre justamente o contrário. “A quantidade de criadouros do Aedes é infinita. Pode ser uma tampinha, um pneu, uma calha, piscina, caixa d'agua. Então, é impossível mapear todos os ambientes. E ele prefere água limpa. Mas o Culex prefere água extremamente poluída, que são os canais, esgotos, fossa. Você consegue mapear e tratar”, afirma.

 

Fonte: Agência Brasil

 


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