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Brasil possui três rotas de aves limícolas


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Parque Nacional Lagoa do Peixe (RS). Foto: Danielle Paludo/MMA

Parque Nacional Lagoa do Peixe (RS). Foto: Danielle Paludo/MMA

Neste 6 de setembro, dia dedicado a essas aves migratórias, especialistas alertam para a proteção das espécies ameaçadas de extinção

 

06/09/2017

No Dia Mundial das Aves Limícolas Migratórias, comemorado nesta quarta-feira (06/09), especialistas alertam para o declínio acentuado das populações nos últimos anos. Patrimônio comum de diversos países por onde passam ao longo do ciclo de vida, protegê-las requer esforços e acordos internacionais. No país, essa missão é capitaneada pelo Ministério do Meio Ambiente e vinculadas.

“Os dias dedicados às aves migratórias (Dia mundial das Aves Limícolas Migratórias e o Dia Mundial das Aves Migratórias) são ferramentas de sensibilização para a necessidade de conservação das aves migratórias e seus habitats e uma importante forma de divulgar as ameaças que as espécies enfrentam, sua importância ecológica e a necessidade de cooperação internacional para conservá-las”, afirma o diretor do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies do Ministério do Meio Ambiente, Ugo Vercillo.

As aves limícolas migratórias são espécies que têm pernas mais altas e bicos mais compridos para se alimentar de pequenos animais que se enterram na areia ou estão na superfície da água. Elas realizam anualmente as mais extensas migrações internacionais e são consideradas patrimônio dos países por onde passam. Algumas se deslocam por mais de 30 mil quilômetros por ano.

O ministério coordena a Convenção sobre Espécies Migratórias no Brasil e conta com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na implementação dos Planos de Ação Nacionais para a Conservação da Biodiversidade, que inclui o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves Limícolas Migratórias.

O país também participa dos Conselhos da Rede Hemisférica de Reservas das Aves Limícolas Migratórias (WHSRN em inglês) e da Iniciativa Pró-Aves Limícolas Migratórias na Rota Atlântica.

 

Diversidade

Com cerca de 20% de seu território composto por áreas úmidas, o Brasil possui registro de mais de 40 diferentes espécies, diversos sítios de invernada de aves que se reproduzem no Ártico e ao sul do país (Patagônia) e três rotas reconhecidas: a do Brasil Central, da Amazônia e a Atlântica. O Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul, é um dos principais sítios de invernada de aves limícolas migratórias no Brasil e algumas espécies também se reproduzem na região.

A unidade Lagoa do Peixe é um dos 20 sítios Ramsar brasileiros, que são áreas úmidas de reconhecimento internacional. O título é concedido pela Convenção de Ramsar, tratado intergovernamental para promover a cooperação entre países na conservação e no uso racional de áreas úmidas no mundo. Atualmente, 169 nações são signatárias do tratado, inclusive o Brasil, que aderiu em 1993.

A proteção dos hábitats aquáticos que recebem as aves migratórias, inclusive, está na origem da Convenção, que inicialmente se chamava "Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional, especialmente como Habitat para Aves Aquáticas”. Entretanto, ao longo do tempo, ampliou sua preocupação com as demais áreas úmidas para promover sua conservação.

 

Conscientização

O coordenador do Lagoa do Peixe, Fernando Weber, aproveita a data comemorativa desta quarta-feira para realizar uma semana de conscientização sobre a importância da área para as aves limícolas migratórias. “Durante a semana, aproveita-se para ir a campo, difundir conhecimentos sobre as aves limícolas e sobre as impressionantes migrações realizadas por esse grupo de aves ao redor do mundo”, conta.

“O parque reúne outras espécies costeiro e marinhas migratórias e residentes, sendo um verdadeiro oásis para as aves. Grupos muito grandes e de espécies ameaçadas dependem da área para o seu ciclo de vida”, afirma a coordenadora do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves Limícolas Migratórias, Danielle Paludo.

Para ela, defender a proteção das áreas úmidas brasileiras e cobrar dos governantes e representantes o compromisso com a sua manutenção é um exercício fundamental de cidadania.

Danielle lembra que qualquer pessoa pode contribuir com a preservação das aves limícolas.  “Em áreas de grande concentração provocar as revoadas pode ser bonito. Mas a perturbação prejudica a sua recuperação e alimentação”, alerta. Outra dica é respeitar a restrição de veículos e cães nas áreas de ocorrência. “É uma contribuição individual importante”, diz.

Outra atividade possível é auxiliar na pesquisa e monitoramento das aves limícolas migratórias, por meio da observação das aves. “Essas pessoas podem participar dos censos voluntários e observar, com binóculos ou a pouca distância, se as aves possuem anilhas ou bandeirolas coloridas e informar ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE). Com as informações pode-se saber de onde elas vêm e a idade de cada ave.

 

Plano de ação

O PAN das Aves Limícolas Migratórias completará em 2018 o primeiro ciclo de cinco anos e deve ser reconduzido para mais cinco. A avaliação do primeiro ciclo será feita até o final do ano, mas Danielle Paludo diz ser possível avaliar o seu desempenho.

“Primeiro, é importante destacar que pela primeira vez em nível nacional foi feito um planejamento participativo para a conservação das aves limícolas migratórias integrado aos esforços internacionais. Como elas são patrimônio comum de diversos países, integrar os esforços para estudo e conservação é a primeira premissa para o planejamento. E também o primeiro desafio”, afirma. 

A partir daí, explica Danielle, um dos principais produtos será a identificação das áreas prioritárias para a conservação das aves limícolas no Brasil, que permitirá concentrar os esforços nos habitats críticos a partir de 2018.

Por meio do plano foram selecionadas 28 espécies na lista de animais ameaçados de extinção, em diferentes graus. Entre eles estão o maçarico-do-peito vermelho (Calidris canutus), Maçarico de costas brancas (Limnodromus griseus), maçarico rasteirinho (Calidris pusilla), maçarico acanelado (Calidris subruficollis) e o maçarico de wilson (Charadrius wilsonia). “Vamos trabalhar com a pesquisa e conservação, porque os especialistas identificaram declínios acentuados das populações nos últimos anos (até 80% de declínio em algumas espécies)”, completa Danielle. 

 

Fonte: MMA


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