Amarelão de Jeca Tatu pode ter vacina e com sua ajuda
Jeca Tatu, criado por Monteiro Lobato sofria com a ancilostomose
23/07/2012 - Blog da Fapemig
Se você não conhece, seus avós sim! Seus pais talvez também já devem ter ouvido falar da ancilostomíase. Provavelmente com um de seus outros nomes, como essa verminose é mais conhecida: doença do amarelão ou opilação. A doença do Jeca Tatu – personagem de Monteiro Lobato, de 1918 – ainda hoje atinge mais de meio milhão de pessoas de todo o mundo. No livro de contos Urupês, de 1918, Monteiro Lobato conta a história de Jeca Tatu e de outros onze trabalhadores rurais paulistas, o que popularizou o conhecimento do amarelão. A obra também foi publicada como conto individual, como nesta reprodução (Agência Fiocruz) O ancilostomídeo ou hookworm, em inglês (algo como verme gancho), é um parasita intestinal. Sua larva, que vive no solo, tem a capacidade de passar pela nossa pele. Ela pode ser contraída quando se anda de pé descalço em locais contaminados, por exemplo. Relacionado à pobreza e a maus hábitos de higiene, o amarelão provoca desnutrição, anemia, desânimo, déficit cognitivo e dificuldade de aprendizagem, principalmente em crianças. Em algumas áreas de Minas Gerais, estima-se que entre 55% e 87% da população esteja infectada. Raramente ela leva à morte, mas como é crônica, o mais comum é a pessoa ter a doença repetidas vezes. Mas todo o sofrimento por traz dessa infecção pode estar com os dias contados. O Centro de Pesquisas René Rachou – Unidade mineira da Fundação Oswaldo Cruz – ligada ao Ministério da Saúde, já começou a testar o que pode se tornar a primeira vacina contra o amarelão: a Vacina NaGST1. Os testes são feitos em parceria com a Universidade George Washington, Instituto Sabin de Vacinas e Universidade Federal de Minas Gerais. As chamadas ”doenças negligenciadas” estão principalmente em países ou em regiões pobres. Muitas pessoas só percebem a doença quando começam a se tratar. Apesar de baixa taxa de mortalidade, o parasita causa cerca de 60 mil mortes anualmente em todo o mundo Após confirmar em laboratório que o medicamento testado é seguro, os pesquisadores já começaram a fase 1, em seres humanos, para testar sua confiabilidade. Até agora, os efeitos colaterais relatados são os clássicos vermelhinho no local e aquela dorzinha, característica, de toda injeção. Nada, além disso. Também não é possível que a pessoa contraia a doença pela vacina. Segundo a bióloga Renata Caldeira Diniz, se aprovada em todos as fases dos testes em humanos a vacina será produzida no Brasil e distribuída pelo SUS. As fases 2 e 3, com pessoas infectadas, serão realizadas nas áreas endêmicas brasileiras. Ela destaca ainda que em geral os voluntários são pessoas que têm maior preocupação com o outro e querem contribuir com o avanço da ciência e com a qualidade de vida das pessoas que vivem em áreas pobres, não só no Brasil. Quem quiser ser voluntário só precisa ser saudável, ter idade entre 18 e 45 anos e morar na região metropolitana de Belo Horizonte. Para mais informações: (31) 3349 7715 / projetovacinabh@cpqrr.fiocruz.br
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